Foto: Lenio Cidreira/ Liberdade News

O excesso de velocidade é a principal hipótese da causa do tombamento do ônibus da empresa RM Viagens e Turismo na BR-101, que deixou nove pessoas mortas na madrugada desta quinta-feira (11), na altura de Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que investiga o caso junto com a Polícia Civil, o laudo pericial ainda não foi concluído para determinar a causa do acidente, mas “incialmente está sendo considerada a hipótese de velocidade incompatível com a via”, diz a pasta em nota.

A passageira Vânia Mathias de Jesus, que estava acordada quando o acidente aconteceu, acredita que cocos secos na estrada e o farol de um caminhão que trafegava no sentido contrário também podem ter influenciado a ocorrência do acidente. “Estava acordada, passou acho que um caminhão, um carro grande, cruzou na curva, porque a gente tombou perto de uma curva, cruzou com o caminhão e acho que o farol atrapalhou ele, porque eu estava no ‘panorâmico’ em cima e me cegou. E a pista estava com muita coisa redonda e depois que nós vimos que eram cocos secos. O motorista tentou voltar para pista de novo, mas a roda traseira caiu na calha de chuva e o ônibus virou”, contou, em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo.

Ao ser questionada se os cocos secos e o farol alto serão investigados como possíveis fatores que resultaram no tombamento do ônibus, a PRF disse que as declarações da vítima ainda não foram confirmadas e reiterou que a investigação inicial aponta para o excesso de velocidade.

O especialista em trânsito Luide Souza adianta que é pouco provável que os cocos secos tenham influenciado o acidente “O que chama atenção deste acidente foi o horário: logo ao amanhecer, o que sugere como possíveis causas o sono e/ou a luz do sol ofuscando o motorista”, afirma.

Riscos do farol alto

Luide Souza aponta que o uso de faróis altos na mesma direção já configura risco para outros motoristas perderem a trajetória do veículo e se envolver em acidente. E esse risco é elevado quando o veículo que trafega no sentido oposto estiver com os faróis altos. Ele aponta que a Lei do Farol delimita claramente quando o mecanismo deve ser ou não usado.

“O uso do farol baixo é obrigatório nas rodovias de pista simples. O farol alto só deve ser utilizado em vias não iluminadas e, ao cruzar com outro veículo, o motorista deve mudar para farol baixo para evitar o ofuscamento. Outro uso do farol baixo, independentemente do local onde esteja trafegando, é quando ocorre chuva e neblina. Neste último caso, o tipo de farol mais recomendado é o farol de neblina”, esclarece.

Ainda de acordo com o especialista, um condutor pode evitar um acidente quando a luz do farol de outro veículo incidir sobre seu rosto. “[Basta] procurar não olhar diretamente para o farol do veículo que vem em sentindo contrário para não ser ofuscado e guiar o seu veículo usando a linha do acostamento como parâmetro”, aconselha.

A legislação de trânsito prevê multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH para o motorista que deixar de manter a luz baixa durante o dia, nas circunstâncias e nos locais onde ela é obrigatória, sendo esta uma infração de natureza média. Enquanto isso transitar com o facho de luz alta, de forma a perturbar a visão de outro condutor, é infração grave e gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na habilitação.

Motorista diz que desviou de outro veículo

O motorista que dirigia o ônibus da empresa RM Viagens e Turismo no momento em que o veículo tombou na BR-101, afirma que tentou desviar de outro veículo quando o acidente aconteceu. Identificado como Carlos Alberto da Silva, ele contou que já está aposentado e trabalhava porque precisava, mas já conhecia a estrada há bastante tempo.

“Um carro vinha ultrapassando outro, ou um caminhão, não deu para ver. Foi muito rápido. Então, eu tentei tirar dele para não bater de frente com um carro menor. E no acostamento tinha muito coco, […] ao frear e tentar sair, o ônibus escorregou a dianteira e foi onde ele caiu na vala. Hoje, fim de carreira, me acontece uma tragédia dessas”, disse ele, visivelmente abalado, em entrevista à TV Santa Cruz, da Rede Bahia.

A versão do motorista é contestada por Moisés Damasceno, delegado titular da 8ª Coorpin/Teixeira de Freitas. Ele teve acesso às imagens do ônibus durante o trajeto do Rio de Janeiro até o ponto do acidente e descarta que tenha existido necessidade de desvio, como relatou Carlos Alberto.

“O vídeo é bem claro. Uma pessoa que vinha logo atrás e a poucos metros do ônibus e, apesar da velocidade que ele desenvolvia, não conseguia alcançar o ônibus. E, mais a frente, ele passou por uma van, que vinha em sentido contrário, e fica bem claro que no momento que aconteceu o acidente o ônibus não vinha passando ou se encontrou com veículo realizando ultrapassagem. Então, isso vai para o inquérito policial e esse vídeo vai ser muito importante”, declarou. Correio da Bahia