Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Janeiro, julho e setembro. Os três meses do ano têm motivos de sobra para serem considerados marcos da independência dos baianos e brasileiros. No momento em que o 2 de Julho ganha evidência no cenário nacional como a data em que o Brasil se viu, de fato, livre da da presença portuguesa, relembre os episódios que tornaram esse feito possível.

Setembro de 1822

Quase um ano antes do 2 de Julho marcar a expulsão dos europeus na Bahia, Dom Pedro I já tinha proclamado a independência do Brasil. A decisão do monarca, no entanto, não foi imediata e os portugueses resistiram à libertação da colônia em diversas províncias. Entre elas, no território que hoje compreende o estado baiano.

“O 7 de setembro marca a decisão do rei, mas isso não foi suficiente para que a independência acontecesse. O Brasil era a maior colônia do império Português, onde se mais produzia mais commodities, os portugueses sabiam do prejuízo que teriam se abrissem mão disso”, explica a historiadora Wlamyra Albuquerque, autora do livro Algazarra nas Ruas: Comemorações da Independência na Bahia (1889-1923).

O suposto grito dado por Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, na cidade de São Paulo, foi resultado de um processo iniciado anos antes. A partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa no Brasil, a relação entre corte e elite começou a se desgastar. Apesar de declarar o país independente, Portugal só reconheceu que o Brasil não era mais uma colônia três anos depois, em agosto de 1825.

Janeiro de 1823

A resistência dos portugueses em abrir mão da colônia protagonizou diversas batalhas que culminaram no 2 de Julho. Uma das mais importantes aconteceu na maior ilha da Baía de Todos-os-Santos, a Ilha de Itaparica. A região insular era desejada pelos europeus, uma vez que os bloqueios das tropas brasileiras impedia a chegada de suprimentos a Salvador.

Dominar Itaparica, para os portugueses, significava liberar a entrada de alimentos na capital baiana e garantir que o exército pudesse lutar. Em 7 de janeiro de 1823, os europeus fizeram mais uma investida para tentar tomar a ilha, mas foram impedidos pelos resistentes, que se entrincheiravam para proteger o território.

“Havia uma resistência muito organizada em Itaparica formada pela articulação das forças do exército e dos populares. O 7 de Janeiro foi como uma espécie de antecipação da vitória baiana e brasileira”, disse Milton Moura, professor de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em entrevista anterior ao CORREIO.

Julho de 1823

Já o tradicional desfile de 2 de Julho em Salvador, começou a ser realizado no ano seguinte à entrada do exército libertador na cidade, o que aconteceu em 1823. Na ocasião, as tropas brasileiras venceram, depois de exaustivas batalhas, o domínio português nos arredores da capital. A história conta que os primeiros soldados chegaram pela manhã na cidade. Estavam cansados, sujos e mal vestidos.

“A partir daquele ano, as pessoas saíram às ruas para comemorar o fim do controle português e o plano de uma nação em que os direitos delas tivessem algum espaço”, diz Wlamyra Albuquerque. O tom festivo e popular que a data carrega até hoje contrasta com o caráter mais militar das celebrações do 7 de Setembro no restante do país. Correio da Bahia