Foto: Divulgação / Vitória Gigante

Paulo Carneiro completou, nesta semana, sete meses à frente do Vitória. Eleito no final de abril, ele tinha como um dos principais objetivos recolocar o Rubro-Negro na Série A do Campeonato Brasileiro. Em 2019, a missão não foi concretizada. O time patinou ao longo da competição e só garantiu a permanência na Segunda Divisão de 2020 na última partida, quando venceu o Operário em Ponta Grossa, no interior do Paraná.

Logo no início de uma conversa com o GloboEsporte.com, Paulo Carneiro garantiu que a permanência na Série B não o deixava tranquilo. Não que evitar o rebaixamento não tenha a sua devida importância. A questão é que o dirigente possui vários outros problemas para resolver na Toca do Leão.

– Uma grande realização. Depois que a gente entra e encontra o problema, continua buscando o acesso, mas era muito difícil. Você imaginar que nós levamos esses sete meses com dois meses de salários atrasados dos atletas… Acho que nós fomos campeões – disse Paulo Carneiro.

O Vitória segue com salários atrasados, mas Paulo Carneiro afirma que “discute o ontem, não o hoje”. Prestes a encerrar 2019, e já no início do planejamento para 2020, o presidente rubro-negro avalia positivamente a primeira temporada no retorno ao clube. Ao ser questionado se o maior acerto da gestão foi contratar Geninho, ele pondera que assumir a presidência foi uma ação melhor do que o acerto com o treinador que comandou o time na reta final da Série B.

– Maior acerto foi eu, chegar ao Vitória para tentar salvar o clube com meus amigos. Geninho é um profissional que conheço desde 1994, amigo pessoal. Todos os treinadores tiveram grandes acertos no processo. Futebol é processo. Você não consegue imaginar que o cara chega, deu resultado e o processo começou e terminou nele. Negativo. Quando se pega um elenco e se reformula todo em seis meses, você não imagina que a imagem do último treinador é a que fica. Osmar [Loss] e [Carlos] Amadeu tiveram participações expressivas nesse trabalho do Vitória, nesse processo que segue, continua. Ninguém trabalha sozinho, treinador não trabalha sozinho. Temos um grande grupo. O auxiliar técnico de Amadeu é o mesmo de Geninho. Claro que cada um tem sua filosofia, seu jeito, e o processo vai seguir. O Vitória precisa voltar a ganhar de forma mais constante. Isso envolve uma série de situações de fora de campo, a questão financeira é fundamental. Geninho teve um grande mérito de conseguir um percentual de resultados expressivos. Se tivesse mantido esse percentual desde a primeira rodada, o Vitória brigaria para subir. O elenco, então, não era tão ruim. Questão é que o elenco foi montado no meio da competição. Se pegar a escalação do Vitória nos dois primeiros jogos, vai ver que é outro time. Talvez não tenha um jogador jogando de titular. Martín não começou o Brasileiro, Jonathan não começou, Everton [Sena] não começou, Ramon era reserva, lateral-esquerdo era Fabrício. As pessoas têm que entender esse processo.

Ao longo dos primeiros sete meses na presidência do Vitória, Paulo Carneiro acertou a contratação de 22 jogadores. O número é expressivo, mas o dirigente afirma que poderia ser ainda maior, já que o clube passa por um processo de reformulação.

“Precisava contratar uns 35. Foi pouco que nós contratamos, não foi suficiente. Ainda não estamos definidos, temos um jogo ainda. Não discuto elenco ainda, o campeonato só termina domingo. Não dá para discutir elenco agora. Vamos dizer que eu tenha jogadores que não vão ficar, não é justo tratar desse assunto agora”, disse.

Para a próxima temporada, a meta é ousada. Além do acesso, o presidente rubro-negro espera que o Vitória se coloque como candidato ao título em todas as competições que disputar. Em 2020, o time baiano terá pela frente o Campeonato Baiano, a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil e a Série B.

– Ser campeão em todas as competições sempre é o objetivo. Vitória é clube grande, se apequenou. Temos que continuar acreditando que o Vitória vai avançar, e vai avançar. Pode apostar. O processo pode ser rápido ou lento. Estamos hoje, futebol é movido a dinheiro, e o Vitória não tem dinheiro. Não adianta enganar o torcedor. Vamos devagarzinho. Se acontecer algum acelerador, vocês vão saber, quem sabe vem surpresa por aí. Se não acontecer, segue o processo.

Time jovem

A idade será um fator levado em conta para a formação do time de 2020. Paulo Carneiro antecipa que a equipe da próxima temporada terá baixa média de idade. A ideia é apostar bastante nos jogadores formados no clube. Para tanto, o Campeonato Baiano será um laboratório, disputado integralmente por atletas do sub-23.

Muitos jogadores da categoria sub-20 serão integrados ao grupo profissional já na pré-temporada. Eles integram uma base remanescente deste ano. Até o momento, 12 atletas do grupo comandado por Geninho têm contrato para 2020.

– Já estamos fazendo. Vamos utilizar sub-20, talvez fazer algumas contratações, sempre jovens, como será jovem o time profissional também. Devem subir dez jogadores da base. O Vitória só conhece esse caminho. E os times médios do Brasil, se não tomarem esse caminho, não terão salvação. Vitória sabe fazer isso. Pelo menos na minha época sabia. Vamos ver se não perdeu o traquejo. Deve subir de oito a dez atletas, reduz o custo, melhora a qualidade e a identidade, melhora tudo.

Sobre renovações de atletas com vínculo até o fim deste ano, Paulo Carneiro prefere aguardar o fim da Série B. No sábado, às 16h30 (de Brasília), o time rubro-negro encerra a Segunda Divisão contra o Coritiba, no Barradão.

– A partir de segunda-feira posso ter conversa mais aberta. Tenho respeito com os atletas que trabalham comigo. Por isso que eles falam tão bem de mim, sou cuidadoso com as palavras. Não tenho vaidade com as notícias. Quero as coisas na hora certa. Talvez na segunda-feira eu diga quem fica e quem não fica. Globoesporte