Crédito: Arquivo pessoal/Jonas Bueno

O produtor cultural Jonas Bueno foi vítima de racismo enquanto trabalhava no Carnaval do Pelourinho. O episódio aconteceu na segunda-feira (12). Jonas era um dos produtores responsáveis pela festa no Largo Pedro Arcanjo, promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba).

Ele contou que estava no Colégio Estadual Azevedo Fernandes, que foi usado como ponto de apoio para a festa. Ao entrar em uma sala para pegar a quantia de R$ 25,00 destinado à alimentação, duas mulheres que faziam a entrega do recurso pediram para que ele se retirasse, alegando que não se sentiam confortáveis com ele ali, porque estavam mexendo com dinheiro.

Segundo Jonas, antes dele entrar no espaço haviam outras pessoas ali e as mulheres não pediram para elas saírem. Por se recusar a deixar o espaço, dois seguranças foram chamados para vigia-lo. “Eles me cercaram como se eu fosse um monstro. Um ficou atrás de mim e o outro do meu lado esquerdo. Eu me senti ameaçado e coagido”, desabafou.

Jonas procurou um posto policial para se informar onde poderia prestar queixa. Segundo ele, após ouvirem o seu relato, os agentes tentaram dissuadi-lo de registrar o boletim de ocorrência, tentando convencê-lo de que não havia ocorrido o crime de racismo. A queixa, por sua vez, foi registrada.

“Pensei que estava pronto para passar por isso, mas nessas horas a gente descobre que não está. Me veio um sentimento de impotência. A gente se olha no espelho e vê a máscara que a sociedade põe na gente. Somos vistos como uma ameaça é isso não é fácil”.

A Secretaria de Cultura foi procurada pela reportagem, mas não foi localizada até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para receber o posicionamento do órgão.

Nota de repúdio

Além de produtor cultural, Jonas Bueno é diretor da Focus Moda Social e Sustentável. Em nota, a instituição repudiou o incidente de discriminação racial.

“Reiteramos nosso compromisso inabalável com a promoção da igualdade, diversidade e inclusão em todas as esferas da sociedade. Atos de discriminação racial não apenas violam os direitos humanos fundamentais, mas também corroem os valores de respeito e dignidade que devem ser defendidos por todos”, diz o comunicado.

A entidade disse ainda que pediu instou “as autoridades competentes a investigarem e punirem rigorosamente os responsáveis por esse ato repugnante, reafirmando assim o compromisso da sociedade com a justiça e a igualdade”. Correio da Bahia