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O ano é 2024 e temas relacionados ao pênis ainda são cercados de tabu. Qual o tamanho médio? Ele realmente importa? Existe cirurgia para aumentar? Devo me preocupar com o tempo da ejaculação? E se ele não subir, o que eu faço?

Do tamanho aos procedimentos estéticos, passando pelos problemas sexuais, o g1 tira dúvidas sobre o pênis nesta reportagem a partir dos tópicos abaixo:

O tamanho realmente importa?

De tempos em tempos surgem estudos — sérios ou não — sobre o tamanho do pênis. Muitos são baseados no autorrelato, o que nem sempre é confiável.

Ubirajara Barroso, chefe do Departamento de Cirurgia Afirmativa de Gênero da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), explica que a média pode variar de acordo como o pênis é medido e cita uma pesquisa publicada em 2015 no British Journal of Urology International.

O estudo avaliou 15.521 homens de todo o mundo. Os dados médicos seguiram um procedimento de medição padronizado. Segundo a análise, o pênis flácido médio tem 9,16 centímetros e o pênis ereto médio tem 13,12 centímetros.

A pesquisa também apontou que não há evidências fortes que liguem o tamanho do pênis a outras características físicas como altura ou tamanho do calçado.

“Os homens acham que o tamanho médio gira em torno de 15, 16 centímetros. Eles superestimam esse tamanho. Isso ocorre por causa do simbolismo da virilidade, poder, força masculina, e o mito de que o pênis grande causaria um prazer maior na parceria”, explica Barroso, que também é chefe da divisão de cirurgia urológica reconstrutora e urologia pediátrica do Hospital da Universidade Federal da Bahia.

Fernando Facio, coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Sexualidade da SBU, ressalta que o homem dá muita importância para o tamanho do pênis por viver em uma sociedade falocêntrica.

“O homem acha que tudo vive em função pênis. Ele acredita que, quanto maior for, maior será o prazer da parceira. É um grande engano. Se o homem heterossexual conhecesse a anatomia vaginal, entenderia que precisa de um pênis de não mais de 10 centímetros para satisfazer sua parceira”, aponta o urologista.

Para os curiosos de plantão, Fernando Facio diz que a média do pênis brasileiro varia entre 12 e 14 centímetros.

O tamanho só vai realmente importar quando estivermos falando de uma condição que foge da normalidade: o micropênis — quando o órgão mede menos de 4 centímetros FLÁCIDO. Essa condição está relacionada, geralmente, a uma alteração hormonal.

Os procedimentos estéticos genitais

Mesmo com o “número mágico” em mãos, muitos homens ainda se sentem desconfortáveis com seus pênis. Eles acham o órgão pequeno, fazem comparações com atores pornôs, procuram alternativas para aumentar o membro.

“Existe estudo que aponta que 46% dos homens com pênis normal gostariam de aumentar o órgão. O homem quer ter o pênis grande para expor na academia, no banho depois do futebol, para se sentir poderoso”, conta Facio.
Isso leva aos procedimentos para engrossar o órgão ou deixá-lo mais visível. Lembrando que não há como aumentar o tamanho do pênis ereto.

“Antes de indicar qualquer procedimento, é preciso conversar com o paciente. Se ele tiver um pênis na média, eu vou entender por que ele está me procurando. Na maior parte das vezes, ele procura porque está subestimando o tamanho, fica comparando com os outros. Quando mostro que está na média, muitas vezes eles acabam desistindo”, diz Barroso.

A faloplastia (cirurgia de aumento peniano) oferece um aumento no estado flácido, liberando o ligamento, ou ajuda a engrossar o órgão, com enxerto de gordura. Também há possibilidade de injetar substâncias no pênis, como o ácido hialurônico. Lembrando que esses métodos não são definitivos e serão vistos no pênis flácido.

Existem também homens que procuram a escrotoplastia, para reduzir o tamanho do escroto. Ela é indicada quando há um aumento anormal do tamanho e pode ocorrer por causa da flacidez ou por doenças. Além de ficar esteticamente melhor, a cirurgia evita outros problemas, como desconforto ao caminhar, colocar roupas.

Os especialistas reforçam que todos os procedimentos devem ser feitos com um profissional habilitado. “Se o ácido hialurônico for injetado no corpo cavernoso, pode causar uma necrose do pênis. O órgão é muito vascularizado”, alerta Barroso.

Para além da estética, alguns tratamentos são benéficos em casos de micropênis, amputação do órgão por doença, como o câncer de pênis ou acidente.

Hora de tratar os problemas sexuais

Não conseguir manter uma ereção, ejaculação precoce e diminuição do desejo sexual estão entre as principais disfunções sexuais que acometem os homens.

Segundo os especialistas, qualquer alteração que dificulte a relação sexual, cause desconforto na pessoa, que impossibilite uma relação sexual saudável, pode ser considerada uma disfunção. Elas afetam homens e mulheres, são multifatoriais e, muitas das vezes, estão relacionadas com fatores psicológicos, como ansiedade e estresse.

disfunção erétil, conhecida antigamente como impotência sexual, é a dificuldade de ter ou manter a ereção satisfatória para a penetração. Muitas vezes pode estar relacionada com a parte emocional.

Ela pode ser dividida em:

  • Orgânica: quando tem algum problema físico que afeta a vascularização ou enervação do pênis. Entre os fatores de risco estão a idade e comorbidades, como hipertensão e diabetes. Nestes casos, a primeira atitude é tentar mudar o estilo de vida, controlar a glicose, focar no exercício físico.
  • Psicológica: situações pessoais podem afetar a performance sexual e causar falhas na ereção. Torres explica que se o homem consegue manter a ereção na masturbação, ele provavelmente não tem um problema mais sério. Está tudo ligado ao aspecto psicológico, um “temor de performance”. “Para esse homem, o indicado é procurar, primeiramente, uma terapia sexual”.

Caso a mudança no estilo de vida e a terapia não ajudem na disfunção erétil, existem outros tipos de tratamentos: medicamentos orais (como o citrato de sildenafila e o tadalafila); medicamentos injetáveis (que induzem a ereção); e cirurgia de prótese peniana para casos graves.

ejaculação precoce é a disfunção mais frequente entre os homens e não existe uma idade certa para “aparecer”. Ela acontece quando o homem tem o orgasmo (e ejacula) em até um minuto após a penetração. Em termos de comparação, estudos mostram que o tempo médio de latência (penetração até o orgasmo/ejaculação) gira em torno de cinco a seis minutos.

É sempre preciso avaliar o contexto. Às vezes, gozar rápido não é um problema para o parceiro ou parceira. Para tratá-la, é preciso entender de onde ela vem. Como geralmente a causa é psicológica, a terapia sexual é uma das medidas.

queda da libido também atinge os homens. Essa diminuição pode ser causada pela falta de testosterona – o hormônio é muito ligado ao fator sexual, do início da função erétil e da chegada do orgasmo.

A reposição só é feita depois de um diagnóstico combinado: clínico e laboratorial e deve ser bem indicada pelo médico. O indivíduo precisa estar com os níveis de testosterona baixos e ter sintomas, como diminuição de desejo, cansaço, fadiga, irritabilidade.

A ausência do hormônio é ruim, mas o excesso é ainda pior. Como ele mexe com o metabolismo, o excesso pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, níveis de colesterol, hipertrofia do coração, alertam os especialistas. G1