Agência Brasil

O anúncio de que o Fausto Silva está doente, precisando de um transplante de coração, chamou atenção para a lista do SUS que atende pacientes das redes pública e particular. São quase 400 pessoas que dependem de uma doação, de um gesto solidário de famílias brasileiras.

Simone Aparecida Batista dos Santos espera por um coração desde abril de 2020. Há um mês e meio, a saúde piorou tanto que ela precisou ficar internada. Hoje, a técnica de enfermagem mal consegue dar alguns passos. As fotos da filha, do marido e dos cachorros, que ficaram no interior, dão força e também saudade.

“Eles são minha luz, minha base e é por eles que eu estou aqui, porque eu quero uma segunda chance”, diz Simone.

Repórter: Difícil essa espera?

“Muito, muito. Só quem está aqui sabe o quanto é difícil”, complementa a técnica de enfermagem.

Hoje, 386 pessoas estão na lista do transplante de coração no Brasil. O tempo de espera varia de dois a 18 meses em média. Por isso, é comum que pacientes passem muito tempo internados com suporte de medicação e equipamentos para tentarem, assim, aguentar a espera. A lista é única e os critérios valem para todos.

É a gravidade que determina a entrada na fila. Por exemplo, pacientes que já não aguentam fazer as mínimas atividades e só ficam confortáveis deitados, que já não respondem a outros tratamentos e correm risco de morte.

Para receber o coração, o paciente precisa ter tipo sanguíneo, peso e altura compatíveis com o doador. Dependendo do caso, é necessária também a compatibilidade genética. Exite ordem cronológica, mas a gravidade da doença e o tempo de internação são critérios de prioridade e desempate em caso de mais de um candidato em situação parecida.

“O paciente, quando ele interna e precisa do remédio que vai na veia, pode ser que ele piore já estando internado, e nesse momento ele precisa descer para UTI. Na UTI, a gente tem alguns dispositivos que ajudam a bombear o sangue para o coração, aumentar o fluxo sanguíneo e isso coloca o paciente em uma prioridade maior, porque o paciente está mais grave”, afirma a médica Iascara Wozniak de Campos, do Núcleo de Transplante Cardíaco do Incor.

O estado do paciente é sempre atualizado e auditorias confirmam as informações.

“O sistema funciona de forma automatizada. Ele já está com todos os pacientes listados, candidatos a transplante, e quando há uma doação, os dados do doador são inseridos no sistema e o próprio sistema gera uma lista, então não há interferência de ninguém nesse ato. E nós só vamos conseguir transplantar os pacientes que aguardam em lista, se a gente conseguir aumentar o número de doações do nosso país”, explica Daniela Salomão, coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

O Incor de São Paulo fez 23 transplantes cardíacos em 2023. Hoje, além de Simone, outros nove pacientes, sendo três em estado gravíssimo, esperam por essa chance. Em outro hospital, é o apresentador Fausto Silva, o Faustão, que também aguarda. Ele anunciou essa semana a entrada na lista do transplante cardíaco.

Benedita Araújo Mendes é grata pela solidariedade dos doadores. Graças ao coração que recebeu há 21 anos pôde ver os três filhos crescerem.

“Esse coração que eu carrego aqui hoje no meu peito, sinto muito emoção, muito emocionada mesmo, muita gratidão a essas pessoas. Eu faço esse apelo para todos: doe órgão, que é um ato de amor muito lindo”, diz. G1