Foto: Reprodução/Bruno Concha/Secom

A quarta morte por dengue na Bahia foi confirmada na segunda-feira (26), em Ibiassucê, no Centro Sul baiano. As outras três foram confirmadas na semana passada, nas cidades de Jacaraci e Piripá. Os três municípios que registraram óbitos estão em raio de distância de 245 quilômetros e se encontram entre os 64 municípios baianos que vivem a epidemia de dengue no estado.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em Jacaraci, as vítimas tinham cinco e 18 anos. Em Ibiassucê e Piripá, os pacientes tinham 87 anos. Não há mais informações sobre o perfil das vítimas.

A pergunta que pode ser feita é a seguinte: existe uma explicação geográfica para o número de casos de dengue no estado? De acordo com a médica infectologista Clarissa Cerqueira, professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), o que há em comum nos quatro casos são questões assistenciais de saúde.

“Pode ter relação com as questões assistenciais de saúde, a nível de orientações de tratamento, porque a dengue é grave para qualquer pessoa, independente do local. Em geral, eu posso dizer que a assistência pode ser um pouco mais frágil em determinado local”, afirma.

O virologista Gúbio Soares, cientista que primeiro detectou o zika no Brasil, explicou, em reportagem publicada no último dia 20 pela repórter Maysa Polcri, que a diminuição das temperaturas colabora para a queda na proliferação do mosquito Aedes aegypti, que transmite o vírus.

“Ainda não estamos no pior momento e a tendência é que o número de casos no país aumente como um todo. A população precisa sentir a seriedade do problema, que só está no início nos municípios do interior da Bahia”, ressalta. “A tendência é que o pico da doença vá até o início do inverno, quando as temperaturas diminuem e dificultam a transmissão do mosquito”, completa o especialista.

Ainda de acordo com Gúbio, quanto mais infectados, maior a probabilidade do mosquito picar uma pessoa e se contaminar. “Quanto mais casos de dengue, mais mosquitos estarão infectados com a doença. Se são poucos casos de chikungunya e zika, é menos provável que o mosquito encontre essas pessoas, se contamine e espalhe a doença”, detalha. Correio da Bahia