Clarissa Pacheco

O Rio Vermelho é o bairro de Salvador com o maior número de assaltos a estabelecimentos comerciais, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Conforme o órgão, entre janeiro e setembro deste ano, a região registrou cerca de 28 casos. O número colocou a região na liderança do levantamento. O bairro de Brotas ocupa o segundo lugar, com 25 casos, e São Cristóvão o terceiro, com 15.

Um dos casos ocorridos no Rio Vermelho foi o de uma boate que fica na Rua Conselheiro Pedro Luís. O crime aconteceu em agosto. Os bandidos levaram R$ 3 mil, além de celulares dos funcionários. Não há informações se algum suspeito do crime foi preso.

Uma gerente de um dos restaurantes da região contou que tem alertado moradores e turistas sobre a situação. “Como acontece em qualquer lugar, não tem local que possa acontecer, fica todo mundo atento. Quando chega um cliente a gente diz para não deixar o celular exposto, bolsas expostas, para não estar atraindo”, disse Adriane Martins.

Ainda de acordo com os dados da SSP, apesar de não ocupar o primeiro lugar na lista que registra o número de assaltos aos pedestres, o Rio Vermelho, também entre janeiro e setembro, teve número de casos expressivo, com 391 ocorrência do tipo. A liderança é ocupada por Itapuã, com 755 registros.

Os dados têm preocupados os moradores do local. Marco Antônio Souza, presidente da Associação de Pescadores do Rio Vermelho, disse que se mudou do local por causa da recorrência dos crimes.

“Eu já me mudei daqui por causa disso. A situação de noite é preocupante. De madrugada fica um foco de criminosos assaltando os turistas que vem visitar a Casa de Iemanjá. Já jogaram uns três [turistas] lá embaixo [na praia]. Vai para Central de Flagrantes e no outro dia o sujeito está aqui roubando novamente. Ele não escolhe a vítima não. Qualquer vítima que tiver inadvertidamente em um horário ermo, e que eles tenham a possibilidade de assaltar, eles assaltam”, disse Marco.

Para Lauro Alves, presidente da associação de moradores do Rio Vermelho, a criminalidade virou rotina no local depois que o efetivo policial foi diminuído. “Se o bairro cresce e o contingente policial, viatura, diminui, o que a gente pode esperar? Que roubos, assaltos e agressões cresçam. Você não vai ter um policial em cada porta”, pontuou.

O presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação também questiona o número de policias que fazem o trabalho na região. Ele chama atenção para a quantidade de turistas que vai ao Rio Vermelho.

“O problema é que está defasado a quantidade de soldados. Hoje, se não me engano, são 175 e precisaria um policiamento extensivo, principalmente à noite. É um bairro boêmio, com 270 restaurantes. Vinte por cento dos turistas vem visitar. O bairro está movimentado e então precisa de um policiamento maior”, contou Sílvio Pessoa.

A Polícia Militar confirmou a diminuição do efetivo de trabalhadores. Apesar disso, mesmo com a redução, a corporação afirma que o trabalho é feito no local, incluindo rondas e blitz.

“Houve em todas as áreas uma diminuição do nosso efetivo, mas a gente continua trabalhando de uma forma muito efetiva para atender essas demandas. Tanto com policiamento em duas rodas, como em quatro rodas, mas também policiamento a pé. A gente vai compensando, a gente vai fazer blitz. A gente vai até o estabelecimento, orienta os comerciantes”, afirmou a major Maria Cleudi Milanezi, comandante da 12ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) no Rio Vermelho.

Ela disse ainda que, mesmo com os números divulgados, o trabalho prestado leva sensação de segurança para a comunidade.

“Para a PM uma ocorrência é o número grande. Mas a gente tem que considerar todas as ocorrências. Mas quando eu penso que o Rio Vermelho tem mais de 270 estabelecimentos comerciais, entre bares e restaurantes, passa a ser um número tolerável. Com essa quantidade de pessoas que frequentam o bairro, turistas, se tem muita gente no nosso bairro, vindo à noite, eu acho que eles tem a sensação de segurança garantida”, concluiu a comandante da 12ª CIPM. G1