Há muito não fica explícito que a liderança do Legislativo conta para o tão defendido equilíbrio de forças. Agora, a situação mudou. A aliados, o governador Rui Costa sinalizou que a legenda que ficar com a cadeira de presidente da AL-BA deve esperar menos espaço no primeiro escalão. Foi um alerta para PP e PSD, os dois partidos mais robustos na base aliada e que se mantêm fortes na disputa com Nelson Leal e Adolfo Menezes.

 

A questão dos espaços para as duas siglas aparece desde a formação da chapa de reeleição de Rui. O PT, com o próprio governador Rui Costa e com o senador eleito Jaques Wagner, dificilmente controlaria o Legislativo em condições regulares, então o petista já obrigou o deputado estadual Rosemberg Pinto a remover a ideia de participar do embate na AL-BA.

 

Já o PP detém a vice, com João Leão, e o PSD uma vaga extra ao Senado, com Angelo Coronel. Na teoria, ambos também ficariam com pastas robustas na reforma do secretariado. Não vai acontecer se Leal ou Menezes ficarem com o posto hoje ocupado por Coronel. É um processo que inclui a hipótese de evitar transformar um atual aliado em futuro adversário imbatível. Este texto integra o comentário desta quarta-feira (28), para a RBN Digital.

 

Caso um dos dois partidos controle a Assembleia e ainda mantenha secretarias com orçamentos expressivos sob o comando dos caciques João Leão e Otto Alencar, o PT, que atualmente é a maior força política da Bahia, correria o risco de se tornar menos protagonista a partir dos próximos pleitos. Rui sabe que não pode dar ainda mais poder a experientes políticos, que sobreviveram à queda do carlismo e cresceram até com a ascensão da esquerda ao Palácio de Ondina.

 

Não é uma questão de desconfiança. É uma questão de cautela, pois uma virtual fragmentação do grupo poderia gerar uma terceira força a colocar em risco a hegemonia do PT e o antagonismo do grupo de ACM Neto. Para além do aviso que a Assembleia entra na conta dos espaços no Executivo, o governador também deu sinais de que não irá admitir que aliados se aproximem da oposição.

 

Tanto que nenhum dos dois postulantes ao comando do Legislativo tentou captar votos da minoria, sob o risco de ser colocado como traidor do arco de alianças que reelegeu Rui com mais de 75% dos votos. É um risco desnecessário para quem ainda nutre expectativas de usar a máquina do estado em favor da expansão dos feudos políticos.

 

O PSB, com Alex Lima, ainda tenta viabilizar o projeto de controlar a AL-BA. O principal argumento é a exclusão de Lídice da Mata da chapa majoritária, que incluiria um acordo informal de preferência para que os socialistas elegessem o presidente do Legislativo. Até o momento, o governador não tornou pública essa posição, então a bolsa de apostas não estaria pagando alto pela chance de Lima suceder Coronel.

 

De certo, o não envolvimento de Rui é apenas proforma. O governador demonstrou que existe um caminho a ser percorrido no processo de escolha do presidente da Assembleia e os deputados estaduais não devem se rebelar contra esses indicativos.

 

Resta saber qual será a postura a ser adotada pelo futuro dirigente do Legislativo após chegar ao cargo. Afinal, ninguém espera um apêndice do Executivo na Casa do Povo. Só a oposição. Este texto integra o comentário desta quarta-feira (28) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM. Por Fernando Duarte