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A família que foi feita refém na segunda-feira (1º), na Rua 1º de Janeiro, no bairro de Cidade Nova, em Salvador, não foi a primeira a passar por momentos de terror na capital. Até aqui, de acordo com levantamento feito pela reportagem, há ao menos sete registros em que criminosos invadiram residências e renderam famílias durante fuga de agentes da polícia. Em todos os casos, após horas de negociação, os reféns foram liberados sem ferimentos graves.

Antes do cárcere desta segunda, há um mês, um homem foi preso em flagrante após invadir uma casa e fazer uma idosa de refém no bairro de Marechal Rondon. Ele, que era suspeito de crimes de tráfico de drogas e outro caso de cárcere privado, entrou na residência enquanto fugia depois de trocar tiros com a polícia no bairro. Com ele, foram apreendidos sacos de maconha, drogas sintéticas e balanças de precisão.

Em maio de 2023, quando seis casos de cárcere privado foram registrados em Salvador em pouco menos de 30 dias, Antônio Jorge Melo, especialista em segurança pública e coronel reformado da Polícia Militar, explicou à reportagem que a ação se tornou comum porque ‘virou uma tática do crime’. Ao falar da prática novamente, ele avalia que a ação passou a ser uma característica de organizações criminosas com atuação na capital, que usam o cárcere como uma espécie de ‘salvo-conduto’.

“É uma ação que se tornou comum entre as organizações [criminosas] locais porque é uma forma que eles têm de se preservar porque sabem que, quando há reféns, o foco dos policiais é ainda mais forte na liberação das vítimas de maneira segura e negociar uma rendição pacífica. Então, não há confrontação com as forças de segurança. É como se eles buscassem um salvo-conduto”, analisa Melo.

Tanto é que a prática se espalhou por diferentes lugares de Salvador. Em abril, uma mulher foi feita refém e dois suspeitos foram mortos em uma noite de terror para os moradores do Alto de Coutos. Três dias antes, um homem invadiu dois apartamentos e fez uma mulher refém durante uma madrugada em um condomínio localizado na Avenida Oceânica, em Ondina. Nesse caso, porém, o suspeito estava em surto.

Em março, porém, o perfil de caso mais comum, quando traficantes invadem casas em fuga, também foi registrado. Na ocasião, dois idosos foram feitos reféns no bairro de Narandiba. Segundo informações da Polícia Militar, seis criminosos invadiram a casa na ação. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado para mediar a libertação dos reféns e, após algumas horas, os idosos foram liberados pelo grupo. Os seis homens foram presos e encaminhados para a Central de Flagrantes.

Em fevereiro, na localidade de Nova Constituinte, em Periperi, uma mulher, que estava fazendo aniversário no dia, foi feita refém junto com o filho por um suspeito por três horas. De acordo com informações da 18ª Companhia Independente da PM, agentes realizavam patrulhamento na área quando surpreenderam um grupo de homens que atiraram e correram em diferentes direções. Um dos homens invadiu a casa e fez mãe e filho reféns.

No primeiro mês do ano, a ocorrência foi registrada em Pernambués. Dois homens foram presos pela Polícia Militar depois de fazer reféns em uma casa e chegarem a fazer uma live no Instagram para pedir a presença da imprensa no local. Correio da Bahia