Olhar para a final da Copa do Mundo no Catar e não pensar no duelo entre Mbappé e Messi é quase impossível. Os dois camisas 10 vão medir forças pelo tricampeonato, seja da França ou da Argentina, domingo (18), às 12h, no estádio Lusail. Também irão disputar a artilharia da competição – lideram empatados com cinco gols – e, bem provavelmente, o prêmio de melhor jogador do Mundial 2022. À beira de campo, há outro embate interessante: Didier Deschamps x Lionel Scaloni. Os dois técnicos seguiram trajetórias opostas e, ao mesmo tempo, parecidas. Quis o destino que alcançassem a mesma final e que tivessem a chance de marcar seus nomes na história.

No passado, há alguma semelhança entre o europeu e o sul-americano. Se hoje são treinadores, os dois fizeram carreira também como jogadores e, inclusive, defenderam suas seleções em Copa do Mundo. Mas o caminho de cada um na competição foi diferente.

Deschamps era capitão da França e titular no meio de campo durante a conquista do título de 1998, a primeira dos franceses. Já Scaloni, que atuava como lateral direito, só esteve em uma partida da Argentina em Mundiais: na edição de 2006, na vitória sobre o México, pelas oitavas de final. Nos outros jogos, foi um reserva não utilizado.

Depois de pendurarem as chuteiras, os dois viraram técnicos. Mas as similaridades são poucas e param por aí. Deschamps é o treinador mais longevo da Copa do Mundo de 2022: disputa sua terceira edição como comandante. Ele, aliás, esteve em todos os títulos da França no torneio. Além de ter sido campeão em 1998 como jogador, também venceu em 2018, já como técnico na competição disputada na Rússia.

Agora, o francês de 54 anos vai em busca do que vale não apenas o tri da seleção, como seu próprio. Se conseguir, chegará a um feito que apenas dois brasileiros conseguiram: Pelé e Zagallo. O Rei do Futebol conquistou seus três títulos como jogador, em 1958, na Suécia, em 1962, no Chile, e em 1970, no México.

Já o Velho Lobo participou das mesmas três conquistas, mas era treinador no tri – também esteve presente no tetra, em 1994, como auxiliar do técnico Carlos Alberto Parreira. Aliás, assim como Deschamps, Zagallo é uma das três pessoas que venceram o Mundial como atleta e técnico. A outra é o alemão Franz Beckenbauer, jogador em 1974 e treinador em 1990.

Carreira em clubes
Antes de chegar ao comando da seleção, Deschamps construiu uma carreira em clubes, iniciada em 2001. Começou no Monaco, que levou a uma final improvável de Liga dos Campeões da Europa para o mediano time francês, em 2004 – perdeu do Porto.

Os resultados o levaram a uma breve passagem de um ano pela Juventus, da Itália, antes de voltar ao país natal para treinar o Olympique, onde foi campeão francês uma vez e da Copa da Liga três vezes consecutivas. Os bons trabalhos o levaram à seleção em 2012, quando substituiu Laurent Blanc – curiosamente, seu colega dentro de campo como zagueiro no título mundial de 1998.

A primeira Copa do Mundo com a França sob comando de Deschamps foi em 2014, no Brasil. Os ‘Bleus’ fizeram boa campanha e seguiram até as quartas de final, quando foram eliminados pela Alemanha, por 1×0, no Maracanã. Já na edição seguinte, na Rússia, o técnico levou seu país ao segundo título e, de quebra, se tornou o único francês bicampeão do mundo.

Novato
Toda a experiência de Deschamps é quase um contraste com Scaloni. Calouro em final de Copa do Mundo, o técnico de 44 anos chegou ao Catar como o treinador mais jovem entre as 32 seleções. Ele, aliás, só começou o trabalho no comando da Argentina em 2018, quando aceitou uma função que ninguém parecia querer.

O novato assumiu o cargo após a eliminação nas oitavas de final na Rússia, em derrota por 4×3 para a França. Jorge Sampaoli, que era o comandante, foi demitido. E Lionel Scaloni, então auxiliar, ocupou a vaga sem ter qualquer experiência como treinador.

Inicialmente, ficou como interino. Mas treinadores renomados, como Diego Simeone, Marcelo Gallardo e Mauricio Pochettino, deram um sonoro ‘não’ para a Associação de Futebol da Argentina (AFA). Na época, a imprensa noticiava um péssimo clima nos bastidores, chegando perto até de um motim entre os jogadores.

Assim, Scaloni ficou com o cargo. E deu certo. Em 2021, o treinador conduziu a Argentina ao título da Copa América, encerrando um jejum de títulos da seleção que durava desde 1993. Conquistada sobre o Brasil e em pleno Maracanã, a taça também tirou um peso das costas de Messi, que não tinha grandes vitórias com a camisa da ‘Albiceleste’ – só em Olimpíada.

Em junho deste ano, a Argentina venceu a Itália por 3×0 na Finalíssima, uma disputa recém-criada entre a campeã da Copa América contra a vencedora da Eurocopa. Agora, Scaloni quer o mundo.