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Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) não convoca o conselho político para tratar de definições sobre as eleições de 2024, os partidos da base aliada se movimentam na construção de candidaturas tanto da capital quanto no interior do Estado. Siglas como o próprio PT, o PSD, o PCdoB, o MDB e o PSB ampliaram o grau de articulação visando a apresentação de nomes, sobretudo nas maiores cidades.

Até agora, a única reunião do conselho político, composto pelos presidentes de partidos da base, aconteceu no dia 4 de maio, e tratou basicamente dos projetos do governo e da distribuição de cargos no interior. Desde então, Jerônimo tem prometido convocar novamente os aliados para tratar do pleito de 2024. Havia a expectativa, inclusive, de que o encontro acontecesse em julho, mas não se concretizou.

Estruturado e com mais capilaridade, o PT é um dos partidos mais avançados quando o assunto é articulação visando o pleito municipal. A legenda, que promoveu diversos encontros territoriais, anunciou a identificação de 176 pré-candidaturas a prefeito petistas e tem negociado a filiação de gestores com mandato. A sigla quer retomar o protagonismo no número de prefeituras e voltar a vencer nas grandes cidades, facilitando, na Bahia, a vida de Jerônimo e do presidente Lula (PT) nas eleições gerais de 2026.

Em Salvador, a Executiva municipal petista decidiu que deve ter candidatura própria, o que motivou críticas de aliados como o MDB e o PV, que consideraram prematuro. Em Feira, o PT confirmou que vai lançar o nome do deputado federal Zé Neto, enquanto em Vitória da Conquista o pré-candidato é o deputado federal Waldenor Pereira.

Nos três municípios, o MDB também apresentou nomes. Em Salvador, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) é a aposta, enquanto em Feira é a vereadora Lu de Ronny e em Vitória da Conquista a vereadora Lúcia Rocha, lançada oficialmente como pré-candidata. Há outros quadros emedebistas já apresentados em cidades importantes, como o do ex-deputado federal Uldurico Júnior, atual presidente da Agência Reguladora de Saneamento Básico da Bahia, em Teixeira de Freitas.

Nos municípios têm ocorrido também conversas entre potenciais candidatos e os partidos. Em Itabuna, por exemplo, o ex-prefeito e ex-deputado federal Geraldo Simões (PT) conversa com a cúpula do MDB baiano em busca da viabilização de uma nova candidatura. Em Salvador, o presidente da Conder, José Trindade (PSB), tido como preferido do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), mantém conversas diárias com lideranças das siglas aliadas e tem agregado apoios, a exemplo do Avante.

Essas conversas entre lideranças envolvem um cenário mais amplo, partindo do princípio da troca mútua de apoios nos municípios. Em Candeias, por exemplo, o PV espera ter o apoio do PT e do PCdoB – as três siglas formam uma federação – para lançar como candidato o vereador Silvio Correia. Em troca, os “verdes” poderiam abrir mão de lançar o deputado estadual Roberto Carlos em Juazeiro – o parlamentar prefere ser conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), na nova vaga que será aberta em dezembro.

Na mesma Juazeiro, o PCdoB espera que o PT, que trabalha o nome do ex-prefeito Isaac Carvalho, e as siglas aliadas apoiem a candidatura comunista do deputado estadual Zó. Os comunistas divulgaram recentemente que trabalham com a possibilidade de 54 pré-candidaturas a prefeito no Estado. Em Salvador, o nome é o de Olívia Santana, deputada estadual mais bem votada na capital em 2022.

Já o PSD, que elegeu 107 prefeitos na Bahia em 2020, sendo o partido com o maior número de gestores, planeja lançar mais de 200 candidatos, principalmente em municípios de pequeno e médio porte. Em Salvador, a sigla apresentou o nome do deputado federal Antonio Brito.

A tese defendida pela maioria dos aliados do governador, e pelo próprio Jerônimo, é que haja uma única candidatura da base aliada nas maiores cidades. Entretanto, o adiamento da reunião do conselho político, na avaliação de aliados importantes ouvidos pelo Política Livre, afasta cada vez mais essa possibilidade.

“Cada um está cuidando de si, fazendo suas articulações, e quando sentar para conversar todo mundo junto para decidir, sob a liderança do governador, pode já ser tarde demais”, avaliou um aliado importante de Jerônimo. Política Livre