© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Calor intenso, sol tinindo, pele suando. Seja qual for a expressão utilizada pelos soteropolitanos, a intenção é apenas uma: reclamar das altas temperaturas registradas em Salvador. As queixas, no entanto, não são à toa. Afinal, no último domingo (14), houve recorde de temperatura para este ano quando a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizado na Base Naval de Aratu, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, marcou 36,2º C. Mas, mesmo não parecendo possível na capital que aparenta ter um sol para cada um, já houve temperatura pior. Isso porque, segundo o Inmet, em fevereiro de 2019, na mesma localidade, e em abril de 1995, em Ondina, os termômetros atingiram 37,1°C.

Aquele fevereiro de 2019 ainda é lembrado por quem sentiu os impactos do calor naquela época. Inclusive, nos dois primeiros meses daquele ano, em pleno verão, só um dia não teve temperatura máxima acima dos 30°C: 28 de fevereiro, que registrou 29,7°C. A serviço da limpeza urbana de Salvador, o gari de apelido Brito, que preferiu não dizer seu primeiro nome, relatou as memórias nítidas daquele mês.

“Lembro daquela época e digo que foi uma coisa inexplicável. Apesar de chover um pouquinho no Carnaval, aquele mês foi muito quente. Eu creio que até os animais sofreram com isso. Vi comentários também de pessoas passando mal, desmaiando, especialmente quem tinha o sistema imunológico fraco”, afirma.

Diante dos 35°C computados na cidade nesta quarta-feira (17), Brito afirma que não há comparação com os anos anteriores no que diz respeito à sensação de calor. “Sabia que eu não senti essa temperatura toda ontem? Já teve anos muito piores”, enfatiza.

Já o montador de prenome Aroldo, que está há 20 dias trabalhando na montagem das estruturas para o Carnaval de Salvador 2024, discorda de Brito ao afirmar que este verão está mais quente. “Ontem estava um calor insuportável, fomos levando do jeito que dava e bebendo muita água. Foi além do normal, cheguei a beber uns quatro litros de água durante o dia. Lembro que fevereiro de 2019 teve muito calor, mas acho que esse verão está mais quente”, diz.

Por sua vez, para a ambulante Daiane Araújo, 38 anos, uma temperatura não anula a outra. Ela, que afirma estar sofrendo com o calor intenso durante seu trabalho em frente a Feira de São Joaquim neste verão, lembra que em 2019 também foi impactada pelo calorão. “O calor também foi de arrasar. Passei a temporada do Carnaval na ilha e, se não passasse protetor solar, iria vir para Salvador parecendo uma cobra descascando de tão quente que estava. Ainda cheguei aqui e vi que o calor estava no mesmo tom”, recorda. Correio da Bahia