Foto: TV Globo/Reprodução

Oito pessoas morreram após um barco virar na noite de domingo (21), na cidade de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador. A embarcação fazia o trajeto da Ilha Maria Guarda para Madre de Deus, localizada em uma região turística, de praia e que registra alta procura durante o verão. O naufrágio aconteceu por volta das 22h, quando os passageiros voltavam de uma festa. Veja o que se sabe sobre caso:

1. Quem são as vítimas?
2. Qual a causa do naufrágio?
3. O que a Marinha diz sobre a embarcação?
4. O piloto do barco já foi identificado?
5. Como foi o resgate dos sobreviventes?
6. O que falta esclarecer?

1. Quem são as vítimas?

Segundo a Marinha do Brasil, oito passageiros morreram e seis ficaram feridos. As vítimas são cinco adultos e duas crianças. Elas foram identificadas como:

  • Ryan Kevellyn de Souza Santos, de 22 anos;
  • Flaviane Jesus dos Santos, de 29 anos;
  • Jonathan Miguel de Jesus Santos, de 7 anos;
  • Caroline Barbosa de Souza, de 17 anos;
  • Rosimeire Maria Souza Santana, de 59 anos;
  • Hayala dos Santos Conselho, de 32 anos;
  • Alicy Maria Souza dos Santos, de 6 anos;
  • Vandersson Epifanio Souza de Queiroz, de 42 anos.

Ao menos seis pessoas foram levadas para o Hospital Municipal de Madre Deus. Duas já tiveram alta, três foram levadas para Salvador e uma para Lauro de Freitas.

Veja abaixo quem são as vítimas feridas:

  • Um menino de 6 anos está internado na UTI pediátrica do Hospital Roberto Santos, em Salvador;
  • Uma menina de 1 ano está internada na UTI pediátrica do Hospital do Subúrbio, em Salvador;
  • Uma mulher de 56 anos está internada na UTI do Hospital Municipal de Salvador.
  • Uma idosa de 83 anos está internada na UTI do Hospital Metropolitano, em Lauro de Freitas.

Sob forte comoção, três das seis vítimas que estavam no barco foram sepultadas na tarde desta segunda-feira (22), em Madre de Deus, sendo elas: Caroline Barbosa de Souza, de 17 anos, Flaviane Jesus dos Santos, de 29 anos e Jonathan Miguel de Jesus Santos, de 7 anos.

Uma equipe de Busca e Salvamento (SAR) da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) foi enviada ao local do acidente para conduzir as buscas dos possíveis desaparecidos, em conjunto com outros órgãos, além de apurar o ocorrido e coletar informações.

Foram utilizadas nas buscas uma embarcação da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental – (COPPA) da Polícia Militar, uma aeronave do Grupamento Aéreo (Graer) e outras embarcações civis.

2. Qual a causa do naufrágio?

Uma possível discussão entre os passageiros teria gerado uma confusão. Com isso, passageiros teriam corrido para um dos lados da embarcação, que virou. Um dos sobreviventes, Aloísio César, disse que suspeita é de que a confusão começou no barco por causa de um pagamento de R$ 10 pela travessia da Ilha Maria Guarda para Madre de Deus. Apesar da suspeita do homem, a polícia ainda não confirma o motivo da briga na embarcação.

O comandante de outra embarcação, e que atuou no resgate, informou que a embarcação teria virado quando as pessoas se dispersaram durante a briga. “Houve realmente uma briga no terminal, mas eu vi essas pessoas entrando na embarcação e eles tinham se resolvido. No meio do caminho, o colega me avisou que houve outra briga entre eles”, disse Frank Santos.

“Talvez o pessoal correndo para um lado e outro acabou virando a embarcação. A cena foi muito feia, me segurando para não derramar lágrimas, porque tinham muitas crianças chorando, mães e pais. Lamentável”, explicou o comandante.

A Polícia Civil e a Marinha do Brasil investigam se houve excesso de passageiros no veículo. Ainda não há informações sobre quantas pessoas estavam, de fato, na embarcação, que comportava 10 passageiros e um tripulante.

3. O que a Marinha diz sobre o ocorrido?

De acordo com informações da Marinha, a embarcação envolvida no naufrágio fazia transporte irregular de passageiros. O veículo “Gostosão FF” é inscrito na classe “saveiro”, para uso exclusivo em atividades de esporte ou recreio. Isso significa que o barco não era habilitado para o uso comercial.

A Marinha informou que será instaurado um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) pela CPBA, para apurar as causas e circunstâncias do acidente. Concluído o procedimento, os documentos serão encaminhados ao Tribunal Marítimo. A Marinha informou que a Prefeitura de Madre de Deus não tinha a obrigação de solicitar a fiscalização no mar, já que o evento foi realizado “em terra”.

4. O piloto já foi identificado?

O piloto do barco que naufragou foi identificado pela Polícia Civil e será ouvido. De acordo com o órgão federal, o piloto é o dono do barco. Ele não foi encontrado no local do naufrágio quando os marinheiros chegaram. Ele não está na lista de pessoas desaparecidas.

O major Diego Pestana, comandante da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Candeias), informou que o piloto chegou a se apresentar no terminal, mas fugiu. “Ele chegou a se apresentar no terminal, mas diante da situação, da quantidade vítimas, ele acabou se evadindo. Fizemos diligências para capturá-lo, mas não tivemos êxito”, disse o major.

5. Como foi o resgate dos sobreviventes?

O comandante de outra embarcação foi o primeiro a chegar ao local em que o barco naufragou. Ele estava trabalhando e se preparava para fazer o transporte de oito pessoas quando percebeu a presença de coolers e coletes no mar.

“Quando avistei alguns coolers e coletes boiando, me dirigi à embarcação que estava naufragada e pude identificar que tinha muita gente em pânico. Me desloquei ao Porto de Madre de Deus, larguei a outra embarcação fazendo socorro, deixei o pessoal que estava na minha embarcação e retornei”, contou Frank.

Segundo o comandante, nesse retorno, ele fez o resgate de três pessoas e encontrou os corpos de cinco pessoas. “Pedi para levar a minha outra embarcação e trouxemos mais quatro pessoas vivas. Fizemos um mergulho no barco, não achamos nada e arrastamos a embarcação para a terra”, relatou.

Frank Santos informou que a embarcação transportava ao menos 27 pessoas. “Consegui tirar 12 pessoas e um parceiro tirou mais três. Outro parceiro conseguiu tirar pelo menos umas 10 pessoas. Com duas que temos certeza que estão desaparecidas, dá umas 27 pessoas”, relatou.

6. O que falta esclarecer?

Ainda não há confirmação se realmente houve uma briga dentro da embarcação e se isso foi o que provocou o naufrágio. Também não há informações do número exato de pessoas que estavam na embarcação. As causas e circunstâncias do acidente são investigadas pela Marinha do Brasil e Polícia Civil. G1