A morte de Ágatha Sophia, de seis meses, ocorrida após ser atingida por uma bomba de gás lançada por policiais militares, em Salvador, completou um ano nesta sexta-feira (31). Segundo Jéssica Maciel, mãe da bebê, toda a família vive dias difíceis depois do crime. Ela conta que ainda espera uma resposta da polícia.

“É muito difícil. Vivo um dia de cada vez, mas um pior que o outro. Meu filho até hoje acorda desesperado, chorando, pedindo para ver a irmã. Ele fala: ‘Eu sinto falta de minha irmã’. Ele pede para ver as coisas dela, boto na cama, ele olha, brinca […] Tem vezes que eu paro e que eu vejo minha mãe sentada chorando, minhã irmã é presa, chora muito, mas disfarça. Eu sei que ela sofre, ela gostava muito de minha filha. É um sofrimento que tenho para mim, mas que não posso passar para eles, porque eu tenho que ser forte por eles”, contou Jéssica.

Ainda de acordo com Jéssica, várias vezes ela se sente culpada pela morte da filha. Apesar disso, ela questiona a abordagem feita pelos policiais. “Alguns momentos eu me culpo por ter vindo. Mas depois eu paro e penso que foi uma festa, um aniversário. Em momento algum tinha festa de paredão como eles falaram. Não tinha. Se eu tivesse visto festa paredão, som alto demais, eu jamais iria estar com meus dois filhos. Sei que a ação que eles fizeram não foi para exatamente atingir minha filha. Mas, em compensação, com o treinamento que eles tiveram, não era para chegar como chegaram. Tinham muitas crianças”, completou.

A criança foi atingida pela bomba durante uma festa de aniversário que era realizada em uma rua do bairro de São Marcos, no dia 27 de janeiro de 2019. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu depois de ficar quatro dias internadas no Hospital Geral do Estado (HGE). Na ocasião, a PM informou que a equipe envolvida foi afastada e apresentada ao Departamento de Promoção Social (DPS), onde teria acompanhamento psicológico. Um ano depois, a mãe da criança questiona também o andamento no caso. Jéssica relata que nunca mais teve novidade sobre o caso. “Eu só queria uma resposta dele. Uma resposta do que foi feito com os policias. Foi um caso que não teve mais nada. Ninguém falou mais nada. Só no momento, que falaram que foram afastados e pronto. Mais nada”, afirmou. G1