Agência Brasil

O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou à Polícia Federal em depoimento que “não concorda” com as suspeitas levantadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, do mesmo partido, sobre a lisura das urnas eletrônicas e do resultado da eleição de 2022. O trecho consta no depoimento de Valdemar à PF no inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado para subverter aquelas eleições.

O presidente do PL foi questionado sobre as falas de Bolsonaro que, ainda como presidente da República, lançavam dúvidas sobre as eleições. “Que não concorda com a fala do presidente Bolsonaro, pois já participou de várias eleições e nunca presenciou nada que desabonasse o sistema eleitoral brasileiro. Inclusive, orientou a bancada do partido a votar contra a implementação do voto impresso”, disse Valdemar.

Valdemar foi questionado em seguida sobre o fato de o PL, sob seu comando, ter pedido uma “verificação extraordinária” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas do 2º turno das eleições – ignorando, inclusive, que as mesmas urnas tinham sido usadas no 1º turno.

Em resposta, o presidente do PL disse que o Instituto Voto Legal foi contratado pela sigla para “fiscalizar”, e não para atender uma ordem de Bolsonaro de “questionar” o resultado eleitoral. Valdemar Costa Neto afirmou, ainda sobre o relatório que questionava, sem provas, o resultado das eleições:

  • que a contratação do “estudo” foi uma demanda direta de Jair Bolsonaro e de deputados do PL;
  • que o Instituto Voto Legal foi sugerido pelo então ministro de Ciência e Tecnologia e atual senador Marcos Pontes;
  • que o partido pagou cerca de R$ 1 milhão ao instituto;
  • e que, quando o relatório vazou, Bolsonaro e deputados do PL “o pressionaram para ajuizar tal ação no TSE”.

Como o relatório não indicava prova das supostas fraudes no sistema eleitoral, o então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, multou o PL em R$ 22,9 milhões por má-fé na apresentação do documento.

Documentos triturados no PL

Valdemar também foi questionado pela PF sobre as chamadas “minutas do golpe” – rascunhos de decretos que pretendiam subverter a ordem democrática e usar instrumentos como estado de sítio ou estado de defesa para impedir a homologação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.

Um desses documentos foi apreendido pela PF, em 8 de fevereiro, na própria sede do PL em Brasília, numa sala que era utilizada por Jair Bolsonaro. O presidente do PL também reafirmou à PF o que tinha dito em entrevista ao jornal “Globo”, no início de 2023: que tinha recebido documentos com sugestões sobre golpe de Estado, baseadas em interpretações ilegais do artigo 142 da Constituição – e triturado.

Segundo Valdemar, essa proposta não vinha de “uma pessoa identificada, mas cartas encaminhadas por pessoas desconhecidas”. Valdemar diz também “que sempre descartou os documentos recebidos, pois eram apócrifos” (sem assinatura), e que os destruía “na sede do partido”. Questionado então pela PF sobre não ter levado essas propostas à polícia, já que as considerava ilegais, Valdemar diz apenas que “sempre desconsiderou tais documentos e pleitos apresentados, pois não considerava a ideia de qualquer tipo de ‘golpe’.” G1