Agência Brasil

Após a queda de quase 5% no ano passado, o comércio varejista baiano começa 2023 com dados positivos. O setor registrou um faturamento de R$ 8,9 bilhões no primeiro mês do ano, o que significa um crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo cálculos da Fecomércio-BA com base nos dados do IBGE. Em termos absolutos, o ganho em um ano foi de R$ 104 milhões.

Contudo, é importante ressalvar que o desempenho no mês foi divido igualmente, com quatro atividades no positivo e o mesmo número mostrando queda. Dos segmentos que contribuíram para a elevação geral nas vendas, destaca-se o aumento de 17,1% do grupo Outras Atividades que envolve área de vendas de combustíveis, artigos esportivos, joalherias, entre outros.

“Como o maior peso desse grupo é, de fato, a venda       de combustíveis, é natural pensar no período de férias e viagens, durante a alta temporada, como forte contribuição para o crescimento nas vendas. Além disso, o preço da gasolina em janeiro, na Bahia, por exemplo, estava num patamar muito acima do visto no mesmo período de 2022, de R$ 5,50 contra R$ 4,74 o litro, de acordo com dados da ANP”, destaca o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

Outro destaque no mês foi o setor Supermercadista com elevação anual de 14,7% atingindo R$ 1,16 bilhão de faturamento, recorde para o mês desde o início do levantamento pela Entidade, em 2012.

A variação mais elevada, contudo, foi do setor de Vestuário, Tecidos e Calçados, de 21,3%. Porém, possui um faturamento mais baixo, de R$ 552 milhões, o que gera um efeito relativamente menor para o resultado geral. “As tradicionais liquidações no início do ano foram as grandes responsáveis por este crescimento. No entanto, mesmo com a variação significativa, o atual patamar de vendas ainda se situa abaixo do que via antes da pandemia”, esclarece Dietze.

Ainda no campo positivo, o setor de Materiais de Construção apontou alta anual de 9,1% e fatura R$ 605,6 milhões. Como ainda há muitas construções sendo feitas, aproveitando o momento de dois anos atrás de baixa de taxa de juros, mantem a necessidade de compras nessa atividade.

No sentido inverso, o destaque é da queda de 45,7% nas vendas de Móveis e Decoração, ou seja, perdendo quase a metade do faturamento de janeiro de 2022. O desempenho negativo está relacionado ao crédito mais caro e limitação na capacidade de consumo das famílias, postergando as compras de bens duráveis.

Tanto que os setores de Concessionárias de Veículos e as Lojas de Eletrodomésticos e Eletrônicos apresentaram retrações respectivas de 13,4% e 7,3%. “Enquanto a taxa de juros estiver num patamar elevado, encarecendo o custo do financiamento, essas atividades deverão seguir com tendência de queda”, informa o consultor.

Por fim, as Farmácias e Perfumarias registraram queda de 2,7% e faturaram, em janeiro, R$ 586,5 milhões. “A queda não preocupa, pois, parte de uma base forte de comparação. O setor veio de uma sequência de recorde de vendas e é natural haver, em algum momento, uma perde de fôlego. Ou seja, a queda não deve ser interpretada como algo negativo. É só uma acomodação das vendas num patamar alto”, salienta Dietze.

A redução da inadimplência também é um fator que a Fecomércio-BA e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo já vinham alertando que beneficiaria as vendas do comércio no estado. Portanto, começar o ano com crescimento nas vendas indo além dos setores básicos, cria uma expectativa favorável para os próximos meses. A Tarde