Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

A chacina que deixou nove mortos em Mata de São João na madrugada desta segunda-feira (28) teria sido motivada por conflito entre traficantes. Na Colônia JK, onde um imóvel foi invadido, vivia um homem identificado ‘Preá’, que seria integrante da facção Tropa. Ele era o alvo do ataque de homens da grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM). No entanto, além dele, outro homem, quatro mulheres e três crianças foram mortas durante a ação.

Uma moradora, que prefere não se identificar, conta que sete das vítimas, todas da mesma família, moravam há pouco tempo nas casas onde foram mortas.  As outras duas vítimas eram vizinhas que foram mortas na frente de casa ao sair para ver o que estava acontecendo. “Eles chegaram tem pouco tempo, mas esse Preá era envolvido de outra facção. Como todo mundo ficava no mesmo lugar, vieram pegar um, mataram nove”, conta ela, que acordou assustada com os tiros por volta das 3h.

Na região, há uma atuação do BDM e a ação seria uma represália a tentativa da Tropa se estabelecer na zona rural de Mata de São João. Por conta do medo, muitos dos moradores preferiram não falar com a reportagem sobre a motivação do crime e a atuação dos dois grupos criminosos na região.

Ainda no local do crime, nenhuma fonte oficial da Polícia Civil ou da Polícia Militar, que reforça o policiamento na área, conversaram com a imprensa. Diligências já estão sendo realizadas e moradores ouvidos para a investigação do caso.

O crime

Informações preliminares apontam que homens armados chegaram ao local e invadiram um primeiro imóvel, onde executaram duas mulheres. Eles teriam ido também a um segundo imóvel, onde executaram também a tiros outras duas mulheres e dois homens. Por fim, os suspeitos atearam fogo na segunda casa.

Nesse momento, acabaram vitimando as três crianças, sendo duas delas descritas como ‘especiais’ por moradores da região, que não sabem relatar se estas tinham algum tipo de deficiência e qual seria. Uma adolescente de 12 anos foi socorrida com queimaduras graves para o hospital, segundo informações da Polícia Civil.

A princípio, os corpos vão seguir para o DPT de Camaçari, mas agentes não descartam que a transferência possa migrar para Salvador para acelerar o processo de perícia nas vítimas.

A Colônia JK, desde 1959, era formada por imigrantes japoneses que, com o passar do tempo, deixaram o local. Hoje, o local tem maioria de residentes da região de Mata de São João. Correio da Bahia