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Apesar da condenação e do aumento da pena de reclusão de 13 anos e quatro meses para 17 anos e seis meses, o líder espiritual Jair Tércio Cunha Costa permanece fora das grades. Isso porque o ex-grão-mestre de uma Loja Maçônica na Bahia nunca foi localizado pelas forças policiais. Durante o processo, ele até forneceu um endereço, porém, nunca foi encontrado.

Em conversa ao Portal A TARDE, a primeira vítima a denunciar os crimes sexuais da liderança religiosa, questiona quem estaria por trás do sumiço do condenado. “Importante saber quem é quem está financiando Jair para que ele fique foragido? Isso importa muito mais pela função dessa, ou dessas pessoas, do que pela revelia de Jair Tércio”, questiona Tatiana Amorim Badaró.

No entanto, para Tatiana, só o fato dele ter sido condenado pela Justiça já é uma vitória. “Para mim é irrelevante ele estar ou não foragido, o que importa é o fato da condenação e sentença, ou seja, o registro jurídico de que ele é um criminoso. Então, minha expectativa é pelo trânsito em julgado. Uma pessoa como ele estar foragida já é, em si, uma prisão”.

Pra mim é muito mais impactante o fato de derrubarem a tipificação de estupro de vulnerável. Meu medo é dos criminosos que se passam por gurus e ainda não foram denunciados.

Tatiana Amorim Badaró, Uma das denunciantes

Jair Tércio Cunha Costa era grão-mestre de uma loja maçônica na Bahia e desenvolvia uma doutrina pedagógica estudada em retiros espirituais promovidos por ele toda semana.

Em 2020, Jair Tércio passou a ser alvo do Ministério Público após denúncias de crimes sexuais contra seguidores serem relatados. Na época, uma da vítima relatou era privada de tudo. “Eu só podia viver o que ele queria que eu vivesse. Eu não podia usar biquíni, ir à praia, ir para festas, encontrar meus amigos de infância. Até encontros de família, ele dizia para eu ir o mínimo possível. Eu não tinha vida fora da Fundação”.

Ao todo, 14 mulheres denunciaram formalmente Jair Tércio por abusos sexuais e psicológicos. Em setembro daquele ano, o MP deflagrou a “Operação Fariseu”, que buscava cumprir mandado de prisão preventiva contra ele, porém, nunca foi encontrado.

“Desde que começamos a apurar o caso, ele se evadiu do local onde ele havia dado como sua residência. Então hoje é considerado como foragido da Justiça”, explicou a promotora de Justiça Sara Gama. A Tarde