O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta sexta-feira (26), em encontro com jornalistas, que “quem teme ser preso está querendo briga e não pacificação”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O café da manhã com a imprensa marcou o encerramento de sua gestão à frente da Corte.
Barroso avaliou que uma das frustrações de seu mandato foi não ter conseguido a pacificação política do país, em meio aos julgamentos dos atos de 8 de janeiro e da tentativa de golpe. “Eu tinha muita vontade de fazer isso e achava que seria possível, mas os julgamentos do 8 de Janeiro e do golpe dificultaram muito criar esse ambiente de pacificação total”, disse.
O ministro também comentou as sanções impostas contra magistrados do STF por autoridades americanas. Segundo ele, a Corte decidiu aguardar o fim dos julgamentos para definir se haverá reação política ou judicial. Barroso defendeu que os fatos prevalecem sobre narrativas e disse ver incompreensão dos EUA sobre a realidade brasileira.
Sobre o julgamento de Bolsonaro e aliados do chamado “núcleo 1”, Barroso destacou que a condenação a 27 anos de prisão tem caráter pedagógico. “O Direito Penal tem, antes de mais nada, a função de evitar delitos. Este julgamento é imprescindível para encerrar o ciclo de golpes e contragolpes na história do Brasil”, afirmou.
Barroso também relembrou a decisão contra o voto impresso, uma das bandeiras de Bolsonaro. Segundo ele, a medida representou uma “cartada decisiva” para preservar a democracia, diante do risco de manipulação e violência em seções eleitorais.
Na segunda-feira (29), Edson Fachin assume a presidência do STF em substituição a Barroso, que afirmou planejar escrever suas memórias em livro após deixar o cargo. Bahia.ba

















