A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, que responde na Justiça por ter facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, voltou a falar sobre a paternidade da filha que teve enquanto estava presa. Atualmente, a criança está com 10 meses. Joneuma Silva Neres afirma que o pai da menina é o ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), preso por envolvimento na fuga em massa.
“E mesmo com todas as provas, fotos, comprovantes, DNA, obstrução de Justiça, e mesmo preso, o genitor ainda não foi citado no processo [de paternidade], não sei por quê. Mais de um ano de ação na Vara Cível de Teixeira de Freitas, a criança não foi registrada e não recebe pensão”, desabafou em publicação no Instagram, na quinta-feira (30).
Entre os documentos compartilhados nos Stories estão o termo de consentimento em que ela autoriza a coleta de seu material genético enquanto estava detida e uma conclusão do exame, apontando que Uldurico Alencar Pinto tem 99,99% de chances de ser o pai.
Em nota enviada anteriormente, a defesa de Uldurico confirmou que ele solicitou a realização de um exame judicialmente, mas disse que o procedimento não foi realizado até o momento da prisão do político, no início do mês.
De acordo com investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Uldurico foi o responsável por negociar o plano de fuga dos criminosos por R$ 2 milhões. Ele nega e alega que “todas as alegações da delação são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade”.
Na colaboração, a ex-diretora disse ao MP que facilitou a fuga a pedido do político. Os dois se relacionavam desde fevereiro de 2024, segundo ela, e foi Uldurico o responsável por indicá-la ao cargo de diretora da unidade prisional ainda em dezembro de 2023.
Inicialmente, a investigação do MP-BA apontou que Joneuma também teria vivido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, o Dada. O homem é chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) e teria concordado em repassar o dinheiro a Uldurico em troca de apoio para escapar da prisão. Joneuma, no entanto, nega esse envolvimento.
“A maior mentira que inventaram sobre mim. E infelizmente eu nunca tive o benefício da dúvida. Estava grávida, presa e silenciada”, lamentou na rede social.
Em entrevista exclusiva à TV Bahia, ela ressaltou que a disseminação dessa história a prejudicou muito. “Tanto que até cogitaram que minha filha fosse filha dele, e o que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024”, criticou.
Na delação, a ex-diretora argumentou que se reunia com Dada no presídio também a pedido de Uldurico, que gostaria de obter mais recursos financeiros após ter perdido a eleição para a Prefeitura de Teixeira de Freitas. G1


















