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A Justiça brasileira registrou 255.123 medidas protetivas concedidas no 1º trimestre de 2026. O número é maior não apenas para os três primeiros meses do ano, mas também em comparação a todos os trimestres monitorados desde 2020. Os dados inéditos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que, a cada 30 segundos, uma mulher recebe a proteção judicial.

O mês de maio deste ano contabilizou um máximo histórico: 93.782 medidas protetivas. O número é 13,4% maior que o recorde anterior, de 82.697, em setembro de 2025. Em comparação ao trimestre passado, o crescimento é de 7,52%.

As medidas protetivas são ferramentas de proteção a mulheres em situações de risco por violência e, em geral, são concedidas após o pedido da vítima — em delegacias especializadas ou diretamente ao juiz —, por meio da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Com variações mensais, o volume de proteções judiciais dessa natureza cresce no Brasil, desde que os dados começaram a ser monitorados em janeiro de 2020. Na época, contabilizava-se cerca de 20 mil medidas por mês.

Cresce a proteção e a violência

A alta na concessão de medidas acontece em meio ao aumento da letalidade contra mulheres. No mesmo período, o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre os meses de janeiro e março — o mais letal desde 2015, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Crescimento na proteção e também na morte de mulheres pode parecer contraditório. Porém, os números reforçam o cenário de aumento da violência contra o gênero, esclarece Nathalie Malveiro, procuradora de Justiça Criminal do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

O aumento da busca pela Justiça por mulheres em risco cresce na medida em que a violência também ganha força no país e o assunto é difundido entre as brasileiras, para a procuradora. “Quanto mais se fala, mais as mulheres se sentem seguras, mais elas registram a ocorrência e pedem a medida protetiva”, afirma. G1