Enquanto milhões de torcedores acompanham os primeiros jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México, uma disputa menos visível já começou nos bastidores: a corrida das autoridades de saúde para evitar que o torneio se transforme em um catalisador para surtos de doenças infecciosas.
A preocupação vai muito além das ondas de calor previstas para várias cidades-sede. Equipes de vigilância epidemiológica estão monitorando hospitais, redes sociais e até o esgoto das cidades para identificar sinais precoces de possíveis surtos em meio à movimentação de milhões de pessoas ao longo das próximas seis semanas.
No topo da lista de preocupações está o sarampo, uma das doenças mais contagiosas conhecidas. O alerta ganhou força nesta semana após a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitir um comunicado pedindo atenção especial ao risco de transmissão durante o evento.
A preocupação não é teórica. Os Estados Unidos já registraram mais de 2 mil casos de sarampo em 2026, quase o mesmo total contabilizado durante todo o ano passado. Ao mesmo tempo, o Canadá enfrenta surtos da doença e o México ultrapassou a marca de 11 mil casos.
“O sarampo é particularmente preocupante porque as pessoas podem transmiti-lo antes mesmo de perceberem que estão doentes”, explica Rebecca Katz, especialista em saúde global da Universidade de Georgetown. Segundo a OPAS, uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 indivíduos não imunizados.
Além do sarampo, as autoridades acompanham uma longa lista de ameaças potenciais. Entre elas estão o norovírus — responsável por surtos de gastroenterite e diarreia —, a hepatite A, o rotavírus e doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya. “Isso é realmente uma maratona”, resume Palak Raval-Nelson, comissária de saúde da Filadélfia, uma das cidades que receberão partidas do torneio. G1

















