O Ministério Público do Distrito Federal usou um vídeo públicado pela influenciadora Virginia Fonseca na última sexta-feira (3) como indício de “uma estratégia coordenada e sistemática” do site de apostas Blaze para captar apostadores durante a Copa do Mundo de 2026. No story postado no Instagram, Virginia aparece usando o app da Blaze para apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, que aconteceria naquele mesmo dia.
“Tá todo mundo sabendo que hoje vai ter Argentina contra Cabo Verde. E assim, gente, estou esperançosa que o Vozinha [goleiro de Cabo Verde] vai pegar todas pra gente. Já tô aqui na Blaze para fazer minha aposta. Cabo Verde, claro. Porque eu tô confiante no Vozinha. Vou deixar o link para quem também quiser fazer a aposta”, diz Virginia no post.
A seleção de Cabo Verde não era favorita, perdeu por 3 a 2 e foi eliminada. Quem apostou no time, seguindo a sugestão de Virginia, perdeu dinheiro. No vídeo, é possível ver que Virginia “opera” uma conta com pouco mais de R$ 3,4 mil em saldo e faz uma aposta de R$ 200. A tela mostra, ainda, uma “odd” de 9,2 – ou seja, que o apostador ganharia R$ 9,20 para cada R$ 1 apostado na vitória de Cabo Verde.
Em nota, a defesa da influenciadora disse que “refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”.
Ainda no mesmo post, após dizer que “deixaria o link” para os seguidores apostarem, Virginia enumera alguns avisos de forma rápida. Diz, por exemplo, que a aposta é “um jogo como qualquer outro”.
“Lembrando que menor de 18 anos é proibido na plataforma, é só para maiores de 18. E jogue com responsabilidade porque é um jogo como qualquer outro, você pode ganhar e você pode perder. Eu vou estar acompanhando o jogo, secando a Argentina e torcendo pro Vozinha”, diz Virginia.
Para o Ministério Público do DF, Virginia induziu seus seguidores a erro ao incentivar a aposta em Cabo Verde. O conteúdo, ainda de acordo com o MP, não estava sinalizado como publicidade.
O MP argumenta que Virginia usou linguagem emocional de “esperança” para induzir seus seguidores a um comportamento que levaria a perdas financeiras, sem mencionar as probabilidades reais.
“As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026. A plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo”, afirma o órgão. G1















