O Ministério da Educação (MEC) tenta consolidar as métricas de desempenho de sua principal bandeira social, o programa Pé-de-Meia, em meio a um cenário de incertezas operacionais. Dados oficiais publicados pela pasta no final de junho apontam que o índice de abandono escolar no ensino médio da rede pública apresentou uma retração expressiva, recuando de 3,8% em 2023 para 2,5% no ano passado.
Embora o Palácio do Planalto tenha celebrado o resultado como um reflexo direto da política pública de R$ 12 bilhões anuais, o governo federal não apresentou evidências que comprovem que toda a redução tenha sido gerada pelo programa, esbarrando em dificuldades crônicas de divulgação de dados integrados.
O nó logístico reside na ausência de indicadores em curto prazo sobre o fluxo de alunos. Em manifestação oficial enviada à Folha de S.Paulo, o MEC esclareceu que, embora o acompanhamento da política de transferência de renda ocorra de maneira ininterrupta, a consolidação definitiva das estatísticas de evasão depende estritamente do encerramento dos ciclos operacionais anuais das redes estaduais e municipais de ensino.
Segundo a pasta, essa dinâmica burocrática inviabiliza o monitoramento imediato das deserções em tempo real. Essa lacuna contrasta com o potencial de impacto estimado para o programa. De acordo com análises publicadas no livro “Bolsas de estudo e evasão”, o Pé-de-Meia tem capacidade técnica para retrair o abandono escolar no ensino médio em uma média de 6,5 pontos percentuais, servindo de base para o debate sobre a eficiência dos gastos em educação no país. Correio da Bahia














