A nova sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos eleva a tributação total para até 37,5% e acende novo alerta entre especialistas e representantes do setor produtivo. Apesar do cenário preocupante, o professor e consultor de economia e finanças, Antonio Carvalho, avalia que, em um primeiro momento, a economia baiana tende a sofrer impactos mais limitados em comparação com outras regiões do país.

“Aparentemente, a economia baiana está isenta dos impactos do tarifaço”, disse. Segundo o economista, a decisão do governo norte-americano possui um forte viés político, anteiormente já publicado pelo bahia.ba. Antonio destaca também a necessidade de analisar sob a ótica econômica e comercial a medida imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump.

“Embora as medidas propostas pelo governo norte-americana de sobretaxação das importações dos produtos de vários países tenham critérios políticos, é necessário que as analisemos e, principalmente como medidas comerciais e econômicas”, declarou.

Para ele, o presidente norte-americano costuma utilizar medidas tarifárias como instrumento de negociação internacional, para pressionar outros países com uma atitude “agressiva” e tomando decisões “polêmicas”.

“Trump é conhecido pela sua postura agressiva e suas decisões polêmicas, mas, é também conhecido por ser um grande negociador e no tabuleiro do comércio internacional, sempre adotou medidas para forçar os países a negociarem com os EUA, grande comprador mundial”, afirmou.

Impacto dos EUA

Antonio Carvalho explicou que a elevação das tarifas tende a encarecer os produtos brasileiros para compradores norte-americanos, reduzindo a competitividade das exportações nacionais, o que deve afetar a produção, comércio e impactos sobre emprego, renda e investimentos em diversos segmentos da economia brasileira.

Impacto na Bahia

Embora considere que “aparentemente, a economia baiana está isenta dos impactos do tarifaço”, o economista alertou que alguns setores estratégicos do estado podem sentir os efeitos da medida. “Os setores industriais e os integrantes das cadeias produtivas brasileiras, principalmente os sobretaxados vêm com preocupação esse jogo político que resultará na criação de uma barreira econômica aos produtos brasileiros”, explicou.

Entre eles estão a siderurgia, com aço e alumínio semiacabados, o agronegócio, especialmente açúcar e mel, além das cadeias de celulose e papel, calçados e vestuário e do setor pesqueiro, com produtos como camarão e lagosta.

O economista cita os seguintes setores:

  • Siderurgia: aço e alumínio semi acabados;
  • Agronegócio: açúcar e mel comum;
  • Celulose e papel;
  • Calçados e vestuário;
  • Pescados: camarão e lagosta.

Para o especialista, o momento exige cautela e acompanhamento das negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ele destacou que a criação de novas barreiras comerciais preocupa a indústria brasileira e pode gerar reflexos sobre toda a cadeia produtiva caso as tarifas permaneçam em vigor. Bahia.Ba