Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri, chefe da gabinete da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) que foi denunciada à Ouvidoria e à Corregedoria Geral do Estado (CGR) por assédio moral, teria obrigado funcionários da pasta a desempenhar tarefas pessoais para ela.
Os relatos fazem parte das denúncias de suposto assédio moral, perseguição, abuso de autoridade e humilhações no ambiente de trabalho apresentadas contra a gestora. O g1 entrou em contato com Giulliana Brito, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Segundo uma servidora que preferiu não se identificar, secretárias eram orientadas a buscar o almoço da chefe de gabinete, levar roupas para conserto e até limpar os óculos dela.
A servidora sustenta que essas atividades não faziam parte das atribuições dos cargos exercidos pelas funcionárias e eram determinadas diretamente pela chefe de gabinete, o que, para ela, configura desvio de função.
A mulher que trabalhou com Giulliana por cerca de cinco anos, primeiro na Diretoria de Planejamento Turístico e, posteriormente, no gabinete da pasta, com sede em Salvador.
Ela relatou que passou a ser chamada frequentemente por Giulliana para receber críticas ao trabalho, muitas vezes sendo exposta na frente de outros servidores, sem apresentar justificativas técnicas.
Em nota, a Secretaria de Turismo da Bahia informou que instaurou processo administrativo para apurar as denúncias. Já a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) informou que a Corregedoria Geral do Estado também instaurou apuração.
Ameaças e perseguição
A funcionária também afirmou que a chefe de gabinete fazia ameaças relacionadas ao cargo dos servidores e dizia que algumas pessoas seriam responsabilizadas criminalmente.
Segundo o relato, Giulliana dizia reiteradamente que uma servidora investigada em processos internos “ia sair presa da Setur”, mesmo antes da conclusão de qualquer apuração. A denunciante afirma ainda que a gestora costumava atribuir falhas a servidores que sequer tinham conhecimento das demandas.
“Ela vinculava o não cumprimento de determinadas demandas a mim, sendo que eu nem sabia que elas existiam”, afirmou. Outra reclamação envolve prazos considerados inviáveis. “Ela dizia: ‘Eu preciso dessa demanda pronta em cinco ou dez minutos’, mesmo quando eram processos complexos que precisavam ser analisados”.
A servidora falou ainda que desenvolveu crises de ansiedade durante o período em que trabalhou diretamente com a chefe de gabinete e que recebeu informações que outra funcionária precisou ser afastada por seis meses após ter o mesmo problema de saúde relacionado ao ambiente de trabalho.
‘Você só sai daqui quando eu quiser’
Entre os episódios narrados, a servidora relata que havia informado, desde o início do trabalho no gabinete, que precisava deixar o expediente às 18h para buscar a filha na escola. Segundo ela, mesmo ciente da situação, Giulliana deixava para encaminhar demandas consideradas urgentes apenas no fim do expediente. “Ela chegou a falar na frente de outras pessoas ‘você só sai daqui quando eu quiser’ e que, por ela, eu deixaria de buscar minha filha”, afirmou.
Estopim das denúncias
Segundo a denunciante, o episódio que motivou ela e outras duas servidoras a formalizarem as denúncias ocorreu durante o plantão do São João deste ano. Ela relata que, na ausência do secretário da pasta, Giulliana discutiu com uma servidora dentro do elevador e, no dia seguinte, voltou a repreendê-la de forma agressiva por causa da fiscalização de eventos.
A denunciante afirma que a servidora respondeu que não precisava se submeter ao tratamento e tentou deixar a sala. “Ela só não agrediu uma colega fisicamente porque outra intercedeu.” Ainda segundo o relato, no domingo seguinte ao episódio, as três servidoras protocolaram denúncias na Ouvidoria e na Corregedoria Geral do Estado. G1
















