Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O início de semana para o torcedor do Vitória é um dos piores possíveis na centenária trajetória do clube. A derrota acachapante de 8 a 0 diante do Flamengo, na última segunda-feira, não só foi a maior da história do confronto e do Rubro-Negro baiano em Campeonatos Brasileiros, como também resultou na demissão de Fábio Carille e acendeu de vez um alerta em relação a rebaixamento.

Um time que sofreu gols nos inícios de primeiro e segundo tempos da partida no Maracanã mostrou, além de desorganização tática e problemas técnicos severos, um lado emocional muito abalado para buscar uma recuperação que o tire da 17ª colocação até o término das 38 rodadas.

O resultado desastroso também reflete uma temporada de muitos erros, que resultaram em perda de título estadual, eliminações precoces nas copas do Nordeste, do Brasil e Sul-Americana, e campanha abaixo do esperado na Série A, além de duas demissões de técnico, reformulação no elenco e mudança na diretoria do futebol.

Pesadelo desde o início

O Vitória adotou as piores estratégias contra o líder do campeonato. Diante do grande número de desfalques, o técnico Fábio Carille manteve o atacante Lucas Braga improvisado na lateral direita, o que se tornou uma “avenida” para os ataques de Samuel Lino.

O zagueiro Zé Marcos e o volante Ronald retornaram de suspensão, mas a surpresa foi a escolha pelo volante Wendell, de 19 anos. O garoto não foi um dos piores em campo, mas escalá-lo em um jogo tão difícil talvez não tenha sido a decisão mais correta.

Escalação do Vitória: Lucas Arcanjo; Lucas Braga, Lucas Halter, Zé Marcos e Ramon; Pepê, Wendell e Ronald; Erick, Cantalapiedra e Renato Kayzer.

E qualquer possibilidade de resistência caiu por terra no primeiro minuto. O lado direito não marcou Samuel Lino após perda de bola do Vitória, e Lucas Arcanjo falhou no primeiro gol. O próprio goleiro errou passe que resultou na segunda bola na rede flamenguista, desta vez de Pedro.

O terceiro gol, de Arrascaeta, foi mais crédito dos mandantes do que falha do Leão baiano, mas o início desastroso de segundo tempo confirmou a noite de horrores da equipe comandada por Carille, que havia voltado para a etapa final com a mesma escalação dos primeiros 45 minutos.

A defesa montada pelo técnico esteve tão insegura que sofreu três bolas nas redes em apenas oito minutos de segunda etapa. Pedro, Samuel Lino e Luiz Araújo anotaram os gols. O próprio Pedro confirmou seu “hat-trick” (aos 13 minutos) antes de Carille fazer suas primeiras mudanças.

Osvaldo e Willian Oliveira, depois Ricardo Ryller e Edu, nenhum deles mudou qualquer atitude do Vitória na partida. Atordoado em campo, o Rubro-Negro baiano ainda sofreu gol de Bruno Henrique em cobrança de pênalti.

Carille teve nove partidas para encontrar soluções defensivas, mas não conseguiu. Muito pelo contrário, deixou o time após derrota vergonhosa e venceu apenas uma partida, com cinco empates e três derrotas (29,6% de aproveitamento). Fez oito gols e sofreu 18.

Além da defesa não funcionar, o ataque deixou a desejar no Maracanã. O Vitória finalizou apenas uma vez contra 20 do Flamengo e teve 36% de posse de bola. Números que escancaram a noite de pesadelos do time baiano no Rio de Janeiro.

Com Carille demitido, Rodrigo Chagas tentará juntar os cacos em uma semana como técnico interino do Vitória. O comandante oficial do time sub-20 tem a missão de preparar a equipe profissional para enfrentar o Atlético-MG, às 18h30 (de Brasília) do próximo domingo, no Barradão, pela 22ª rodada da Série A. Globoesporte