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O São João, uma das maiores festas populares do Nordeste, registrou gastos que totalizaram R$ 659 milhões em contratações de artistas em 2026 na Bahia. O valor total representa uma redução de R$ 42 milhões em comparação com o valor recorde investido no ano anterior, que foi de R$ 701 milhões.

Os dados são do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, que reuniu investimentos com festejos juninos em 410 municípios baianos, ou seja 98,3% das cidades da Bahia. A plataforma foi idealizada e desenvolvida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) em parceria com diversos órgãos, em 2022, para reunir transparência com o dinheiro público.

A queda de 6% nos gastos, apesar de tímida, está ligada ao acordo firmado entre o MPBA e os municípios baianos que recomendou a redução de gastos públicos com as atrações artísticas nos festejos juninos.

O MPBA havia aconselhado aos municípios, em Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, a suspensão de quaisquer pagamentos referentes a contratações que superem os valores médios cobrados em 2025, atualizados pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA).

A recomendação do ministério surge diante de relatos da União dos Municípios da Bahia (UPB) de que os escritórios dos artistas estavam apresentando preços entre 30%, 40% e até 100% superiores aos do ano passado.

Queda nas contratações

De acordo com apuração do Portal A TARDE, com dados do Painel de Transparência, em comparação com o ano passado, o número de apresentações contratadas em 2026 caiu em 44%. Em 2025, foram contratadas 8.673 apresentações para o São João na Bahia, enquanto em 2026, foram 4.836 shows.

Os investimentos das cidades baianas no São João nos últimos anos foram de:

  • 2022 – R$ 122 milhões
  • 2023 – R$ 153 milhões
  • 2024 – R$ 404 milhões
  • 2025 – R$ 701 milhões
  • 2025 – R$ 659 milhões

As 10 cidades que mais reduziram gastos com contratações em 2026

  • Valença – R$ 6,4 milhões
  • Amargosa – R$ 5,8 milhões
  • Pojuca – R$ 4,3 milhões
  • Conceição do Jacuípe – R$ 3,8 milhões
  • Eunápolis – R$ 3,6 milhões
  • Ipiaú – R$ 1,8 milhão
  • Cruz das Almas – R$ 1,6 milhão
  • Quijingue – R$ 1,4 milhão
  • Jequié – 962 mil
  • Senhor do Bonfim – R$ 852 mil

Amargosa, tradicional na realização do São João, foi uma das cidades que, apesar de ter reduzido os gastos com contratações artísticas, virou alvo de cobranças e questionamentos sobre a ausência de público no São João em 2026.

Um levantamento do Ministério Público apontou salto de 204% nos gastos com a festa junina em três anos, enquanto menos de 3% da população local, por exemplo, tem acesso à rede de esgoto.

Dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, mantido pelo MPBA, revelam que o orçamento destinado ao São João de Amargosa saltou de R$ 2 milhões em 2022 para R$ 6,1 milhões em 2026.

Algumas cidades baianas chegaram até a suspender a contratação de artistas para os festejos juninos, alegando impactos com o teto de gastos do Ministério Público. Pojuca, a 80 km da capital baiana, anunciou há 15 dias para o início da festa, o cancelamento de ao menos seis atrações artísticas. Informações do A Tarde