© Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

Casos recentes de estupros coletivos contra adolescentes que chocaram o Brasil nos últimos dias expõem uma realidade que especialistas descrevem como persistente, mas, na maioria das vezes, invisível.

O estupro coletivo, ou seja, quando duas ou mais pessoas participam da agressão sexual, não é um evento isolado no país. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) indicam que, de 2022 a 2025, foram registrados 22.800 casos de estupro coletivo no Brasil, ou seja, mais de 15 casos por dia.

Ainda segundo os dados, do total dessas agressões, 8,4 mil foram cometidos contra mulheres adultas e 14,4 mil contra crianças e adolescentes do sexo feminino. Os números foram fornecidos pelo Ministério da Saúde à DW.

Apesar de alarmantes, esses números, no entanto, não correspondem à realidade, segundo especialistas, devido à subnotificação dos casos.

“A violência sexual, especialmente em sua forma coletiva, permanece cercada por camadas históricas de silêncio. Em casos de estupro coletivo, esse silêncio tende a ser ainda maior. A vítima não enfrenta apenas um agressor, mas um grupo. O medo de represálias, a exposição pública e o trauma psicológico muitas vezes se tornam barreiras quase intransponíveis para a denúncia”, explica Najara Barreto, gestora executiva do Instituto Justiça de Saia e projeto Justiceiras, que atuam na defesa dos direitos das mulheres. G1