A montadora chinesa de veículos elétricos BYD está entre os 169 novos nomes incluídos na atualização da “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, cadastro que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.
A inclusão ocorreu após o resgate de trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, que atuavam na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Ao todo, cerca de 220 funcionários haviam sido contratados para trabalhar na obra.
Segundo as autoridades, os trabalhadores foram encontrados em alojamentos precários, sem condições adequadas de conforto e higiene, além de estarem sob vigilância de seguranças armados, que restringiam a saída do local.
As investigações apontam ainda que os passaportes foram retidos e que os contratos incluíam cláusulas consideradas ilegais, com jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia relatou que um acidente com uma serra pode ter sido causado pelo cansaço extremo devido à falta de folgas.
O órgão também identificou que os trabalhadores entraram no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.
Na época, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda foi responsável pelas irregularidades e que o contrato com a empresa foi encerrado. A montadora afirmou não tolerar desrespeito à legislação brasileira e à dignidade humana, além de ter providenciado a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região.
No fim de 2025, o MPT-BA firmou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Após o acordo, a empresa reiterou seu compromisso com os direitos humanos e informou que irá se manifestar nos autos do processo. G1

















