Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Após ter sido citado no relatório da PF (Polícia Federal) que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo (SP) por obstrução no inquérito sobre a trama golpista, o deputado federal e líder da oposição na Câmara, Capitão Alden, em nota enviada ao bahia.ba nesta quinta-feira (21), negou qualquer ato ilícito na mensagem enviada ao ex-presidente e que foi anexada ao processo.

Alden afirmou que o conteúdo foi apenas uma saudação do presidente ao povo baiano, enviada por ele mesmo, como “porta-voz de milhares de cidadãos que estavam nas ruas, de forma pacífica, defendendo a democracia, a liberdade de expressão e o respeito à Constituição”.

A PF identificou tentativas de contato do parlamentar durante as manifestações em apoio ao ex-mandatário, no dia 3 de agosto, como forma de driblar as medidas restritivas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar disse que “a manifestação foi pública, cívica e amparada pelo direito constitucional de livre reunião e livre manifestação do pensamento”.

E saiu em defesa do ex-chefe do Executivo. “Defender que Bolsonaro está proibido de dar entrevistas, se estas forem reproduzidas nas redes sociais por terceiros, enquanto deputado, reafirmo ser temerário. Lembremos de direitos como liberdade de imprensa, o direito à informação e o livre exercício da política”, declarou o político baiano.

Na nota, Alden também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citando o episódio da prisão do petista. “Nem mesmo chefes de facções criminosas ou condenados por corrupção, como o presidente Lula, tiveram essa medida imposta. Aliás, Lula foi autorizado por decisão do ministro Lewandowski a dar entrevistas enquanto estava preso e condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro”, continuou.

E complementou: “Lembremos que Bolsonaro sequer foi julgado ou condenado, e, em minha opinião enquanto deputado, tampouco descumpriu qualquer das condições que, legalmente, poderiam justificar medidas tão graves, como risco de fuga ou obstrução da Justiça”.

Por fim, o deputado criticou a exposição de mensagens privadas sendo expostas, segundo ele ilegalmente e garantiu que seus posicionamentos são dentro dos limites da responsabilidade do cargo que ocupa.

“Me manifesto e sempre o fiz enquanto deputado federal, no exercício pleno do mandato, e, segundo a Constituição, dentro dos limites da responsabilidade do cargo a mim confiável, gozando de prerrogativas como a inviolabilidade por palavras, opiniões e votos. Se está acontecendo comigo — tendo conversas privadas expostas ilegalmente — quem dirá com um cidadão comum”, concluiu Alden. Bahia.ba