O fenômeno climático global El Niño, que atua no Oceano Pacífico, tende a favorecer temperaturas acima da média na Bahia, principalmente na segunda metade do inverno, a partir de 5 de agosto. Os efeitos mais intensos estão no impacto direto sobre a estiagem no semiárido, risco de incêndios e o comportamento da vegetação nos diferentes biomas do estado, impactando diretamente no bolso do consumidor.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), neste ano, as mudanças vão além dos termômetros. Em um estado que reúne biomas e ecossistemas como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Restinga e Manguezal, a estação gera respostas climáticas diferentes entre o litoral e o interior, influenciando paisagens, ciclos reprodutivos e estratégias de sobrevivência da flora e da fauna.
Entenda impacto do El Niño nos preços dos alimentos na Bahia
Devido à influência no solo, o fenômeno pode acabar impactando na produção e, consequentemente, no preço dos alimentos na Bahia nos próximos meses, conforme afirma o Denilson Lima, economista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em entrevista ao portal A TARDE.
A quebra de produção reduz a quantidade disponível no mercado. Com menor oferta e demanda relativamente estável, os preços sobem. Além disso, aumentam os custos com irrigação, manejo, transporte e reposição de perdas, que tendem a ser repassados ao consumidor final.
“O El Niño pode elevar os preços dos alimentos na Bahia ao alterar o regime de chuvas e aumentar as temperaturas, reduzindo a produtividade de culturas sensíveis ao chamado estresse hídrico e elevando os custos de produção. Com menor oferta e custos maiores, produtos hortifrutigranjeiros tendem a registrar aumento de preços ao consumidor”, explicou.
Segundo o economista, especialistas têm destacado a preocupação de produtores rurais e empresários do agronegócio com os possíveis impactos do El Niño na safra 2026/2027. As principais inquietações concentram-se no Oeste baiano, maior região produtora de grãos do estado, onde a irregularidade e o atraso das chuvas podem:
- Comprometer o calendário de plantio da soja e do milho;
- reduzir a produtividade;
- elevar os custos de produção.
Também há preocupação com a pecuária, devido à possível redução das pastagens e da disponibilidade de água para os rebanhos.
Carnes, frutas e outros produtos devem ficar mais caros
O evento meteorológico tende a intensificar a estiagem no semiárido baiano e favorecer temperaturas acima da média histórica, cenário que aumenta o risco de estresse hídrico para diversas atividades agropecuárias.
“Nesse contexto, caso ocorram perdas de produção ou aumento dos custos com irrigação, suplementação alimentar, manejo e logística, a oferta de alimentos poderá diminuir, pressionando os preços pagos pelos consumidores baianos”, afirma Denilson.
Segundo ele, os valores devem impactar, sobretudo:
- Hortaliças;
- frutas;
- leite;
- carnes;
- grãos.
“Os primeiros impactos devem ocorrer em hortaliças, frutas e alimentos folhosos, pois são culturas de ciclo curto, altamente dependentes de condições climáticas adequadas e com menor capacidade de absorver perdas de produção. Em seguida, podem ser afetados leite, carnes e grãos, caso haja redução de pastagens ou da produtividade agrícola”, explicou o economista.
Os impactos devem ser temporários ou podem pressionar os preços por um período mais longo, dependendo da intensidade e da duração do El Niño.
“Em produtos de ciclo curto, os efeitos podem ser temporários, com recuperação relativamente rápida da oferta. Já quando o fenômeno provoca perdas sucessivas de safra, redução da produção pecuária ou compromete mais de um ciclo produtivo, a pressão sobre os preços pode persistir por vários meses”, afirmou.
Dicas para reduzir os efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos
- Monitoramento climático e sistemas de alerta antecipado;
- manejo eficiente da irrigação e da água;
- uso de cultivares mais tolerantes ao estresse climático;
- contratação de seguro rural;
- ampliação da assistência técnica;
- políticas públicas de apoio ao crédito, logística e abastecimento para reduzir oscilações de oferta. Informações do A Tarde
















