O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (30), que o número de casos de intoxicação por metanol em setembro, em São Paulo, é a metade da média anual do Brasil.
“O país costuma ter 20 casos por ano de intoxicação por metanol. A partir de setembro, foi quase metade das notificações que costumam ter no ano e concentrado apenas em São Paulo, o que chama atenção”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acrescentando que se trata de uma situação “anormal”.
No estado de São Paulo, há 22 casos: 7 confirmados de intoxicação; 15 casos suspeitos em investigação; 4 casos foram descartados. Entre esses 22 casos, há uma morte confirmada por intoxicação por metanol com bebida adulterada e quatro mortes sob investigação.
“Normalmente os casos de intoxicação por metanol no Brasil estão associados a pessoas em situação de rua (que adquirem como combustível) ou a suicídios. Estamos em uma situação anormal, diferente do que temos na série histórica”, completou.
Ele explicou que o Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica definindo o que é um caso suspeito ou não e esclarecendo os sintomas para orientar os profissionais de saúde sobre como identificar e agir nessas situações.
Segundo ele, a notificação de caso suspeito não precisa esperar o fechamento do diagnóstico.
No total, o país tem 32 centros de informação e assistência toxicológica do SUS em todos os estados, onde a população pode usar esses serviços e buscar ajuda.
Investigação
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no estado de São Paulo. Segundo ele, é possível que essa rede de distribuição da substância atue também em outros estados.
O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. No estado de São Paulo, seis casos de intoxicação foram confirmados, incluindo três mortes, e dez estão em investigação. Um outro foi descartado. De acordo com o Ministério da Saúde, não há indícios de novos casos. A PF disse que não foi identificada uma marca ou importação específica.
👉 Como ocorre o batismo das bebidas: Falsificadores pegam as garrafas de marcas famosas de bebidas alcoólicas, como gin e vodca, e adulteram o conteúdo, acrescentando metanol. Em seguida, o produto é comercializado. Ao ingerir a bebida contaminada, as pessoas podem levar várias horas para apresentar os primeiros sinais de intoxicação, que incluem cólica muito forte e perda de visão.
Segundo ele, o “número elevado e inusitado” de intoxicações por metanol em São Paulo chamou a atenção porque foge do padrão, pois, normalmente, a ingestão da substância ocorre por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, um sistema do governo federal que recebe informações de todo o país quando há intoxicação por causas desconhecidas emitiu um alerta nacional.
No sábado (27), a Secretaria de Defesa do Consumidor divulgou uma nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para tomarem cuidado com bebidas que pudessem estar contaminadas – atentando, por exemplo, para rótulo ou embalagem com aspecto diferente.
A fiscalização já começou: os estabelecimentos onde se identificou que havia bebida contaminada vão receber notificação do Ministério da Justiça para descobrir os fornecedores, quem manipulou as bebidas e que tipo de bebida as vítimas consumiram.
PCC investigado
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não descartou a possibilidade de ligação do crime organizado com a adulteração de bebidas alcóolicas com metanol, indo na contramão do secretário da Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite (PL).
Rodrigues explicou que investigações recentes sobre a cadeia de combustível mostraram que há um esquema que passa pela importação de metanol pelo Paranaguá e que, por isso, há a necessidade de entrar nesse caso. “A investigação dirá se há conexão com o crime organizado”, disse o diretor da PF.
Intoxicação por metanol
Abaixo, veja o que se sabe e o que falta saber sobre os casos.
Quantos casos foram confirmados e estão em investigação?
Segundo o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo, até a noite da terça-feira (30) há 22 casos: 7 confirmados de intoxicação; 15 casos suspeitos em investigação; 4 casos foram descartados. Entre esses 22 casos, há uma morte confirmada por intoxicação por metanol com bebida adulterada e quatro mortes sob investigação.
Entre os casos investigados, estão quatro jovens — dois homens e duas mulheres — que passaram mal após consumir gin comprado em uma adega na Cidade Dutra, na Zona Sul da capital, em 1º de setembro.
Um dos jovens, Rafael dos Anjos Martins Silva, está internado há quase um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em decorrência da contaminação. No boletim de ocorrência, obtido pelo g1, é descrito que ele começou a passar mal, vomitou e teve fortes dores abdominais após ingerir a bebida.
A princípio, ele acreditou que eram sintomas de ressaca, até que começou a gritar que estava cego, e os pais o levaram para o hospital.
Ao Fantástico, a mãe dele, Helena Martins, contou que o quadro do filho é irreversível. “Ele está respirando pelo ventilador, não tem fluxo sanguíneo cerebral. Segundo a medicina, é irreversível.”
Outra vítima é Rhadarani Domingos, que relatou ao Fantástico que ficou cega após beber três caipirinhas de vodca em um bar no Jardim Paulista, área nobre da capital. Na noite desta segunda, ela deixou a UTI, mas segue internada sem previsão de alta.
Foram registrados óbitos?
Sim. O governo estadual confirmou uma morte por intoxicação por metanol. Outras quatro são investigadas. As vítimas são:
- Homem de 58 anos, morador de São Bernardo do Campo;
- Homem de 54 anos, morador da capital paulista;
- Homem de 45 anos. O local de residência está sendo investigado.
Ainda conforme o governo, outra morte, de um homem com histórico de etilismo crônico, está em investigação, pois não se sabe como ocorreu a intoxicação. Outro caso foi descartado.
Como as intoxicações aconteceram?
Os falsificadores “batizavam” bebidas alcoólicas, como gin e vodca de marcas famosas, com o metanol. Em seguida, o produto era comercializado e consumido pelas vítimas.

















