A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta segunda-feira (30) que as mulheres terão, no mínimo, 50% das vagas garantidas na segunda fase do Concurso Nacional Unificado (CNU), conhecido como o “Enem dos Concursos”.

Segundo a ministra, essa equiparação entre homens e mulheres será aplicada exclusivamente na transição da primeira para a segunda fase — ou seja, da prova objetiva para a discursiva. A medida, portanto, não garante reserva de vagas para mulheres no resultado final do concurso.

“Não é uma reserva de vaga para mulheres, como é o caso de pessoas negras, com deficiência, indígenas e quilombolas. Mas vamos fazer uma equiparação do percentual de mulheres que passam da primeira para a segunda etapa”, diz Dweck.

A ministra destacou a mudança como “a grande novidade” da segunda edição do CNU. A decisão foi tomada após o governo constatar que, tanto na primeira edição do concurso quanto em outras seleções anteriores, o percentual de mulheres aprovadas foi inferior ao de inscritas.

  • 🔎 Na primeira edição do CNU, aproximadamente 63% dos aprovados eram homens e 37% mulheres. Esse resultado foi o oposto da proporção entre os inscritos confirmados, composta por 56% de mulheres e 44% de homens.
“Há duas coisas importantes na literatura: uma é a dupla ou tripla jornada [das mulheres]”, o que as prejudica nos estudos e gera desigualdade, diz Dweck. “Outra questão é o tipo de prova: a discursiva exige mais a bagagem da pessoa, anos de estudo, e não só o treino específico para a prova.”

Como vai funcionar a equiparação?

O governo apresentou um exemplo para ilustrar como será feita a seleção para a segunda fase, conforme a nova regra.

Para isso, foi considerado um cargo hipotético com 20 vagas.

  • Nesse cenário, serão convocados para a prova discursiva candidatos em número equivalente a nove vezes o total de vagas, totalizando, no exemplo, 180 pessoas.
  • Segundo as regras, dessas 180 pessoas, 117 seriam da ampla concorrência (65%) e as demais 63 seriam candidatos cotistas (35%).
  • Caso as 117 pessoas da ampla concorrência sejam 65 homens e 52 mulheres, serão convocadas mais 13 mulheres, igualando o número de homens e mulheres em 65 cada.
  • Isso significa que todos os homens classificados serão convocados para a prova discursiva. Ou seja, não haverá exclusão de candidatos, mas sim a inclusão de mais mulheres para assegurar a equiparação.

De acordo com o governo, um cálculo semelhante será aplicado a cada cota, cargo e especialidade. A nota final do concurso continuará sendo composta pela soma das pontuações das provas objetiva, discursiva e de títulos (quando houver), válida para todos os candidatos.

📝 Sobre o CNU

O CNU 2025 vai oferecer 3.652 vagas para cargos de nível médio, técnico e superior, distribuídas entre diversos órgãos públicos.

As inscrições começam no dia 2 de julho e vão até 20 de julho, e devem ser feitas por meio da página do candidato.

As vagas estão divididas em nove blocos temáticos, que agrupam cargos por área de atuação:

  • Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência Social)
  • Bloco 2: Cultura e Educação
  • Bloco 3: Ciências, Dados e Tecnologia
  • Bloco 4: Engenharias e Arquitetura
  • Bloco 5: Administração
  • Bloco 6: Desenvolvimento Socioeconômico
  • Bloco 7: Justiça e Defesa
  • Bloco 8: Intermediário – Saúde
  • Bloco 9: Intermediário – Regulação

Esse formato permite que o candidato concorra a várias vagas dentro de um mesmo bloco, com apenas uma inscrição.

Embora a maior parte das vagas esteja concentrada em órgãos com sede em Brasília (DF), também há postos disponíveis em diversos estados do país.

💰 Salários

Os salários iniciais no CNU 2025 variam de R$ 4 mil a R$ 17 mil, dependendo do cargo e do nível de escolaridade exigido.

Consulte as remunerações iniciais previstas na tabela abaixo.

Como vai funcionar a inscrição?

O candidato fará uma única inscrição e poderá escolher os blocos e cargos de sua preferência. A disputa pelas vagas ocorre dentro do bloco temático selecionado.

As inscrições começam no dia 2 de julho e vão até 20 de julho, e devem ser feitas por meio da página do candidato.

A taxa de inscrição é de R$ 70. Candidatos doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde e inscritos no CadÚnico podem solicitar isenção da taxa.

O prazo para solicitar a isenção da taxa de inscrição vai de 2 a 8 de julho.

🧮 Política de cotas

A nova edição estabelece regras mais rigorosas para assegurar a reserva de vagas destinadas a pessoas negras, indígenas, com deficiência e a candidatos quilombolas. De acordo com o governo, a iniciativa reforça o compromisso com a promoção da equidade no acesso ao serviço público federal.

Com isso, a distribuição das cotas ficou definida da seguinte maneira:

  • 25% para pessoas negras;
  • 3% para pessoas indígenas;
  • 2% para pessoas quilombolas;
  • 5% para pessoas com deficiência (PcD).

Nos casos em que o número de vagas é inferior ao mínimo exigido para aplicação das cotas, o MGI realizou um sorteio para definir a reserva proporcional, conforme previsto na norma.

Como serão as provas?

A prova objetiva será aplicada em 5 de outubro de 2025. Ela será composta por uma parte com questões comuns a todos os candidatos (como língua portuguesa, raciocínio lógico e atualidades) e outra com perguntas específicas, conforme o bloco temático escolhido.

A prova discursiva será aplicada em 7 de dezembro de 2025, exclusivamente para os candidatos aprovados na primeira fase. O conteúdo e o formato da redação variarão de acordo com a área de atuação.

▶️ PROVA OBJETIVA

A prova objetiva será de múltipla escolha, com cinco alternativas e apenas uma correta. A quantidade de questões varia conforme o nível do cargo:

  • Nível Superior: 90 questões no total, sendo 30 de conhecimentos gerais e 60 de conhecimentos específicos.
  • Nível Intermediário: 68 questões, com 20 de conhecimentos gerais e 48 de conhecimentos específicos.

▶️ PROVA DISCURSIVA

Na etapa discursiva, os candidatos deverão elaborar textos conforme o nível de escolaridade exigido para o cargo:

  • Nível Superior: 2 questões discursivas, com aplicação das 13h às 16h.
  • Nível Intermediário: 1 redação dissertativa-argumentativa, das 13h às 15h.

O tempo de prova também é diferente:

  • Nível Superior: das 13h às 18h (5 horas de duração).
  • Nível Intermediário: das 13h às 16h30 (3h30 de duração). G1