A cantora Daniela Mercury rebateu a decisão judicial que suspendeu a decisão que determinava que o bloco Crocodilo, comandado por ela há décadas, fosse o primeiro a desfilar no circuito Dodô (Barra/Ondina), neste domingo (15). Em entrevista coletiva, realizada antes do desfile da artista como o bloco “Crocodilo”, ela afirmou que a forma como o circuito é organizado não é respeitosa e fere a história da consolidação do circuito na folia da capital.
A artista contou que em 1996 havia uma hierarquia muito dura na ordem dos trios, por isso ela nunca conseguiu espaço para desfilar no circuito. Com isso, ela decidiu procurar um novo espaço entre Barra/Ondina e desfilava por volta das 19h no início do carnaval.
“A gente tem uma história linda, muito clara, toda noticiada, documentada. […] A única que ficou de lá até aqui desfilando, 30 anos, apesar de tudo, fui eu! Então, por que a turma está antes de mim? Não consigo entender. De onde surgiram?”, questionou.

Daniela afirmou que vinha sinalizando para a gestão que a ordem dos trios não estava satisfatória, mas não recebeu respostas quanto a isso.
“A gente foi avisando que não estava bom, que não era o que a gente queria, que não era respeitoso, não era justo. Mas, os ouvidos de mercador continuaram”, criticou.
Ainda na coletiva, a esposa e empresária de Daniela, Malu Verçosa, também comentou a decisão e afirmou que entrar com uma medida judicial foi o último recurso. Além disso, ela pontuou que o bloco Crocodilo foi empurrado para o fim da fila ao longo dos anos e que o critério para a organização dos trios não é claro.
“Cada ano a gente é empurrado para mais tarde, então qual é o critério? Se não é a antiguidade, não é a presença no circuito, qual é? A gente tem que definir o critério, tem que ter um órgão regulador, porque isso implica também em retorno financeiro, de mídia, não sejamos ingênuos. Tem interesses”, argumentou.
A empresária afirmou ainda que o objetivo não é a criação de uma estrutura inflexível e que pode haver acordos com artistas como Olodum e Ivete Sangalo, mas a história do bloco Crocodilo deve ser reconhecida.
“A gente é de boa, se quiser conversar. ‘Ah, o Olodum quer sair primeiro’, tudo bem, ‘Ivete tem compromisso’, não tem problema. Mas, há de se reconhecer o direito e o lugar do bloco Crocodilo que está há 30 anos desfilando neste circuito que não existia, com o mesmo nome e a mesma atração”, afirmou. G1

















