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A nova edição do Boletim InfoGripe Fiocruz, divulgada na noite de ontem (25), indica que os casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), independentemente da presença de febre, apresentam sinal forte de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas).

De acordo com o boletim, percebe-se que a tendência se mantém desde a Semana Epidemiológica (SE) 48, que remete ao início de dezembro de 2021, 25 Unidades da Federação apresentam ao menos uma macrorregião de saúde com nível de casos semanais de SRAG considerado muito ou extremamente alto, somando um total de 79 das 118 macrorregiões de saúde do país.

Com relação ao ano epidemiológico 2022, já foram notificados 22.465 casos de SRAG, sendo 8.749 com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 5.848 negativos, e ao menos 5.997 aguardando resultado laboratorial.

Dentre os casos positivos do ano corrente, 15,1% são Influenza A, 0,1% Influenza B, 3,1% vírus sincicial respiratório (VSR), e 73,3% Covid-19. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 23,4% Influenza A, 0,2% Influenza B, 3,9% vírus sincicial respiratório, e 65,2% Covid-19.

Observa-se crescimento em todas as faixas etárias da população adulta, desde o final de novembro e início de dezembro, até o presente momento. Tal cenário só não é observado na faixa de 0 a 9 anos, que se mantinha desde o mês de outubro de 2021, e ao final de dezembro apresenta reversão do crescimento, e entre os adolescentes de 10 a 19 anos, que apresentaram leve queda ao final de dezembro, porém com sinal de possível retomada do crescimento em janeiro.

“Esta reversão na tendência de novos casos em crianças pode estar associada à redução na transmissão de casos de vírus sincicial respiratório (VSR) e de Influenza (gripe), que eram as principais causas de SRAG nessa faixa etária, enquanto os casos associados à Covid-19 aparentam manter crescimento. Na faixa etária entre 10 e 19 anos, a leve queda ao final de janeiro está associada à diminuição nos casos de Influenza, porém a queda foi interrompida em função do aumento nos casos de Covid-19”, explica Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

Em 26 dos 27 estados, observa-se ao menos uma macrorregião de saúde com sinal de crescimento nas tendências de longo ou curto prazo: Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins, no Norte; Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, no Nordeste; Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, no Sudeste; Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste; Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no Sul.

Pará é o único estado em que observa-se tendência de longo e curto prazo com sinal de queda ou estabilização. Em relação às estimativas de nível de casos de SRAG para as macrorregiões de saúde, não se observa nenhuma em nível pré-epidêmico, enquanto temos uma em nível epidêmico, 38 em nível alto, 61 em nível muito alto, e 18 em nível extremamente alto.