A enfermeira Maria Emília Barbosa, que denunciou ter sido vítima de importunação sexual por um personal trainer em Salvador afirmou que, após tornar público o caso, recebeu mais de 40 relatos de outras mulheres que dizem ter vivido situações semelhantes.

Em entrevista à TV Bahia, ela descreveu o impacto emocional após o episódio e criticou a lentidão no andamento da investigação. “Muito tempo a gente fica se questionando se realmente isso aconteceu, se é coisa da nossa cabeça, até realmente se concretizar um ato”, disse.

Segundo ela, só após o ocorrido percebeu que havia muitas outras pessoas com experiências parecidas. A vítima contou que ficou assustada com a quantidade de relatos que chegaram após a repercussão do caso.

“Foram mais de 40 pessoas que entraram em contato comigo. Cada uma com sua subjetividade, mas com relatos muito parecidos com o meu. Relatos que mostram um mesmo modus operandi”, falou a enfermeira.

Maria Emília também relatou que recebeu mensagens da família do investigado após tornar o caso público. “A mãe dele entrou em contato comigo pedindo para que eu não falasse sobre ele no meio digital, porque a irmã trabalha com isso e citou até que o pai dele é do órgão judiciário”, afirmou.

Segundo ela, a irmã do personal trainer também teria enviado mensagens ofensivas pelas redes sociais, chamando-a de mentirosa. “Esse foi o único contato que tive da outra parte até então”. A denúncia foi registrada uma semana após o episódio, e a vítima afirma que ainda não foi ouvida pela Polícia Civil. “Infelizmente ainda não teve esse ouvir. Outras vítimas já prestaram depoimento, e ainda assim essa lentidão”.

A enfermeira fez um apelo para que outras mulheres procurem as autoridades. “Todo mundo que já passou por isso e reconhece realmente quem é a pessoa, que não fique só no Instagram. Que tenha coragem e vá até a delegacia denunciar. A gente só vai ter voz se estiver juntas”, afirmou. Ela contou ainda que muitas das mulheres que a procuraram têm medo ou vergonha de revelar o que passou, inclusive para familiares e parceiros.

“Tem meninas que nem sequer tiveram coragem de contar aos noivos, aos maridos, aos namorados. Então o outro lado tem que pensar nas outras famílias antes de acontecer o que aconteceu”. A vítima diz que decidiu falar publicamente também em respeito às famílias das outras mulheres que relataram situações semelhantes. “Eu precisava fazer isso para dar voz a outras famílias”. G1/BA