A desigualdade salarial para mulheres e negros cresceu na Bahia em 2025. É o que apontam dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que trazem comparações com anos anteriores.
Conforme os dados divulgados na sexta-feira (8), as trabalhadoras baianas ganhavam em média R$ 2.084 em 2025, o que correspondia a -14,1% do rendimento dos homens, que faturavam R$ 2.426 na ocasião.
A porcentagem corresponde a quase o dobro do registrado em 2022, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) apontou uma média de -7,8% em relação ao salários dos homens (a menor média nos 14 anos de série da pesquisa).
No caso dos trabalhadores pretos, o ganho em média em 2025 era de R$ 1.887, o equivalente a -41,3% do rendimento dos que se declaravam brancos: R$ 3.217. Um ano antes, em 2024, essa porcentagem era de -39,4%.
Para João Gabriel Lopes, é indispensável tratar essas desigualdades como uma consequência do modo de funcionamento das instituições do mundo do trabalho no Brasil, a fim de enfrentá-las não apenas como um problema individual entre empregado e empregador.
“As mulheres seguem acumulando maior responsabilidade pelo cuidado doméstico e familiar, enfrentam maiores obstáculos para ascensão profissional e, muitas vezes, são direcionadas para setores historicamente menos valorizados. Ao mesmo tempo, a população negra é imposta a uma maior presença na informalidade e em ocupações precarizadas”, pontuou.
Segundo o professor, diante desse cenário, momentos de crescimento econômico ou de melhora na renda média podem beneficiar mais rapidamente os grupos que já estão em posições mais protegidas e bem remuneradas.
“A desigualdade geral pode até cair, mas as desigualdades internas por raça e gênero continuaram crescendo. Isso indica que a melhora média da renda não está sendo distribuída de forma igual entre os grupos sociais”, destacou. G1

















