Crédito da foto: Gabriel Pinheiro / Secti BA

A deterioração dos alimentos é o terror de quem faz as compras da casa e, poucos dias depois, encontra o cacho de bananas escurecido ou o morango coberto por mofo. E foi pensando em melhorar a durabilidade desses itens que um grupo de sete estudantes do interior da Bahia criou um biofilme sustentável.

🍎🍌🍓 O QUE É: O material busca imitar a função do plástico filme, conservando frutas e legumes e evitando o descarte irresponsável de plástico no ambiente.

Os jovens cientistas responsáveis pelo desenvolvimento do projeto se chamam Welington Oliveira, Maria Eduarda, Alana Souza, Maria Gabriela, Maria Leticia, Elainy de Jesus e Sara Luane, e estudam no Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara, cidade do semiárido baiano. As professoras Andrea Bonfim e Indira Tainá de Oliveira, do curso técnico de Agroindústria, foram as orientadoras.

🧪O projeto

O biofilme é uma película fina, transparente e biodegradável que cria uma camada de proteção sobre os alimentos. No projeto, os estudantes usam matérias-primas com propriedades plastificantes, abundantes na região de Santa Bárbara, a fim de valorizar e potencializar os recursos da localidade.

O amido de milho, a batata e a mandioca — compostos escolhidos para o biofilme — possuem amilose e amilopectina, moléculas responsáveis por formar géis firmes, viscosos e plastificantes. O estudante Welington Oliveira ressalta as vantagens na escolha dos produtos:

“Além de ser sustentável e não poluir o meio ambiente como o plástico comum, nosso produto ainda valoriza recursos presentes na região. Com isso, conseguimos instigar a redução de resíduos poluentes, aumentar a vida útil dos alimentos e, ao mesmo tempo, incentivar o uso de recursos locais”.

Os testes começaram com a aplicação e análise dos diferentes tipos de amido e seus aspectos de opacidade, resistência e solubilidade. O objetivo era testar, na prática, a sustentabilidade e conservação das frutas e verduras.

A orientadora e engenheira de alimentos, Indira Tainá de Oliveira, conta que a próxima etapa é utilizar o biofilme nos alimentos e verificar qual matéria-prima atinge o objetivo de alcançar maior vida útil e maior tempo de prateleira com a utilização da proteção. A equipe agora busca um tipo ainda mais resistente e com melhor aspecto de conservação e visual.

🗻 Maiores desafios

Apesar do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares já ter um hábito e incentivo para projetos científicos criados pelos alunos, os recursos ainda são limitados e demoram a chegar. No atual projeto, a professora Andrea Bonfim relata que a estufa necessária para um desempenho mais produtivo e mais ágil do protótipo só chegou um ano após a solicitação para o governo do estado.

Enquanto o equipamento não chegava, os jovens cientistas tinham que esperar por sete dias em temperatura ambiente para realizar a secagem do biofilme — processo reduzido para horas na estufa —, correndo o risco das amostras serem contaminados por microrganismos durante a espera prolongada.