Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas está sendo explorada politicamente por Flávio Bolsonaro (PL), que tenta apresentar a medida como uma vitória de sua agenda de segurança pública e, ao mesmo tempo, constranger o governo Lula (PT), que tem posição contrária a esse tipo de enquadramento.

O anúncio foi feito um dia após o senador e pré-candidato se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo Flávio Bolsonaro, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Tudo isso em meio ao escândalo revelado envolvendo as relações do senador com Daniel Vorcaro.

A avaliação no entorno de Flávio Bolsonaro é que o tema pode ajudar a desgastar o governo em uma área considerada sensível para a opinião pública: o combate ao crime organizado. A estratégia passa por pressionar o Planalto a se posicionar e transformar o debate em mais um embate político entre governo e oposição.

No governo brasileiro, porém, a leitura é diferente. Fontes do governo afirmam que a decisão americana já era esperada e estava “precificada” pela diplomacia brasileira. A avaliação é que a medida atende principalmente ao público interno dos Estados Unidos e à política de Donald Trump de endurecimento no combate ao narcotráfico. G1