Foto: Ricardo Stuckert / PR

Uma fragmentação de candidaturas da oposição no 1º turno das eleições de 2026 pode ser o pior cenário para o presidente Lula (PT), caso ele se candidate à reeleição e não o melhor, como partidos do centrão vinham articulando, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest.

O levantamento divulgado nesta quinta-feira (13) trouxe dez cenários diferentes de 1º turno para a eleição presidencial de 2026 e mostra que, quanto mais candidatos enfrentam Lula no 1º turno, maior é a soma percentual deles.

Segundo Nunes, os números são “inequívocos”: para a oposição, “é melhor ter mais candidato do que poucos” se o objetivo é diminuir as chances de Lula vencer no 1º turno. A análise dos cenários, detalhada por Nunes, mostra que a tese do centrão de “aglutinar todo mundo” em Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode ser um erro estratégico.

Em cenários com múltiplos candidatos da oposição (Cenários 1, 2 e 4), a soma dos votos dos adversários supera com folga a intenção de voto do presidente Lula. No cenário 1, por exemplo, a soma da oposição chega a 50%, contra 31% de Lula; no cenário 2, 48% contra 31%; e no cenário 4, 46% contra 32%.

O risco para a oposição, segundo a Quaest, é o oposto do que se imaginava. Quando o número de candidatos diminui, a soma da oposição cai, e o risco de Lula vencer no primeiro turno se torna real. Nunes cita como exemplo um cenário (o 10º) com Tarcísio de Freitas (21%), Ronaldo Caiado (7%) e Renan Santos (3%). Nele, Lula aparece com 39%.

“A soma dos três dá 31%, eles estão muito abaixo dos 39% de Lula. Nesse caso, Lula venceria no 1º turno”, explicou o diretor da Quaest. A conclusão é que a fragmentação, ao “dividir o arsenal de ataques” ao presidente, pode ser a única forma de a oposição garantir um segundo turno. A constatação é “completamente contra-intuitiva” e vai na direção oposta do que o Centrão vinha planejando. “Sem fragmentação, o Lula leva vantagem, pelo menos se a eleição fosse agora”, concluiu Nunes. G1