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Uma das vítimas do chamado “golpe da facção”, em que suspeitos se passam por integrantes de organizações criminosas para extorquir dinheiro, registrou uma ligação telefônica que mostra o momento do crime. O golpe é investigado pela Polícia Civil em Coração de Maria, cidade a cerca de 30 km de Feira de Santana.

Durante a ligação, o suspeito alegou que a vítima estava sendo acusada de delatar integrantes do tráfico à polícia e exigiu o pagamento de R$ 2,8 mil. O valor seria destinado ao tráfico de drogas, a fim de suprir prejuízos causados pela suposta entrega de informações feita pela vítima.

“Tomamos um prejuízo de R$ 2.800 e seu nome e sua foto chegou aqui no grupo. Então, para que não venha acontecer nada com você, quero que abrace a ideia. Vou segurar a onda, mas você vai ter que pagar o valor da droga da forma que puder”, disse o suspeito durante a chamada.

Os policiais trabalham com a possibilidade de que as ligações sejam feitas de presídios da região. Nos últimos meses, mais de 10 pessoas já foram vítimas do crime na cidade. Entre elas, estão moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais do município, informou a polícia.

“Estamos tentando descobrir a origem destes crimes e, em regra, há possibilidade destes crimes estarem ligados aos conjuntos prisionais. Estamos levantando informações para identificar os suspeitos”, disse ao g1 o delegado titular da Delegacia Territorial de Coração de Maria, Idelfonso Monteiro.

Também faz parte da linha de investigação a possibilidade de que os telefones e chips usados pelos criminosos sejam adquiridos com CPFs de terceiros. Conforme o delegado, mandados estão sendo cumpridos no Conjunto Penal de Feira de Santana, a fim de encontrar aparelhos celulares que possam ser usados para a prática.

“Fizemos uma representação através de busca e apreensão em algumas celas de suspeitos que estão no Conjunto Penal de Feira de Santana. O objetivo é verificar se há aparelhos”, explicou.

Como funciona o crime

Os golpes são praticados após criminosos levantarem informações das vítimas através das redes sociais. Eles entram em contato com elas por meio de ligações ou mensagens de texto, e citam dados pessoais, como nome completo e endereço. Após o contato com a vítima:

  • o golpista informa que faz parte de uma facção da região e que a vítima é informante da polícia;
  • são feitas ameaças para a vítima e familiares;
  • os criminosos cobram valores para evitar “consequências”.

Estabelecimentos comerciais de Coração de Maria têm sido alvo dos golpistas. Uma das vítimas teve o prejuízo de mais de R$ 2 mil em um único golpe.

“Eles fazem o contato com os proprietários do estabelecimento e cobram uma suposta ‘proteção’ para que esses comércios não venham a ser alvos de furtos ou roubos. Depois que a vítima realiza o primeiro pagamento, os golpistas costumam continuar exigindo quantias cada vez maiores”, detalhou o delegado.

O que fazer ao receber a ligação

Ao receber ligações do tipo, a vítima não deve realizar pagamentos, alerta a Polícia Civil. A recomendação é gravar as conversas e registrar um boletim de ocorrência. “Caso receba a ligação, a vítima pode ignorar e desconversar o golpista. Em seguida, registrar a conversa por prints ou gravação e procurar a polícia para formalizar o boletim de ocorrência”, orientou o delegado. A Delegacia Territorial de Coração de Maria investiga as circunstâncias do caso para identificar os suspeitos. G1