A forma como o governo da Bahia anunciou o início das obras da ponte Salvador-Itaparica foi alvo de críticas da imprensa nacional. Em reportagem publicada no domingo (12), a Folha de S.Paulo destacou o clima improvisado do evento realizado em Vera Cruz, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e apontou pendências técnicas no empreendimento.
Segundo o jornal, a estrutura acanhada do canteiro e a cerimônia organizada às pressas para atender ao calendário eleitoral contrastaram com a dimensão do projeto. A ponte deve ter 12,4 quilômetros e pode se tornar a maior da América Latina em extensão sobre a água.
A obra começou, no entanto, sem que o projeto executivo estivesse totalmente concluído. A primeira etapa, referente às fundações, ainda passa por revisão e aprovação. Em Salvador, a prefeitura informou que ainda não recebeu o projeto executivo da ponte, apenas pedidos relacionados a serviços preliminares, como sondagens e instalação de canteiro.
A Folha também ressaltou o aumento dos custos. O empreendimento, inicialmente estimado em R$ 6,3 bilhões, passou a ter orçamento de R$ 11,6 bilhões após a repactuação do contrato com o consórcio chinês responsável pela construção, ampliando também a participação de recursos públicos.
Além das pendências, a obra enfrenta desafios de engenharia. As sondagens identificaram um solo marinho mais heterogêneo do que o previsto, com trechos de sedimentos e rochas frágeis, o que obrigou os projetistas a recalcular parte das fundações. Em alguns pontos, elas poderão alcançar até 120 metros de profundidade.
Apesar das controvérsias, a concessionária iniciou a instalação dos canteiros e a montagem de uma plataforma provisória de apoio logístico. O projeto também é alvo de questionamentos sobre impactos ambientais, pressão imobiliária e efeitos sobre comunidades tradicionais da Ilha de Itaparica. Correio da Bahia














