O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou, nesta última quarta-feira (29), a interdição da área do cemitério que abriga os corpos de mais de 100 mil pessoas escravizadas, em Salvador.
Segundo a decisão do órgão, o objetivo é proteger o local, que deverá ser desocupado para uma possível continuidade das pesquisas e posterior deliberação sobre a criação de um centro de memória sobre o tema, já que esse pode ser o maior cemitério de escravizados da América Latina.
A área fica onde atualmente funciona o estacionamento da Pupileira, na Santa Casa de Misericórdia, situada centro da cidade. O espaço foi descoberto durante uma pesquisa de doutorado desenvolvida na Universidade Federal da Bahia (Ufba) pela arquiteta urbanista Silvana Olivieri, no início do ano.
Após comparações de mapas da época e fotos de satélite atuais, a pesquisadora identificou o cemitério no estacionamento. As escavações começaram em 14 de maio. No terceiro dia de trabalho, os arqueólogos encontraram os primeiros vestígios: fragmentos de objetos e porcelanas do século 19. Cerca de 10 dias depois, as primeiras ossadas foram achadas. Mesmo depois disso, o local seguiu sendo o utilizado como estacionamento.

















