Santo Antônio de Jesus conta atualmente com apenas duas farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular, do governo federal, responsável por oferecer gratuitamente ou com subsídios significativos uma série de medicamentos essenciais da atenção primária à saúde. No entanto, a limitação de unidades credenciadas e a ausência de adaptação tecnológica e estrutural têm provocado transtornos e indignação entre os usuários do serviço no município.
A equipe do Portal Infosaj/TV Recôncavo esteve no centro da cidade e constatou que uma das farmácias credenciadas distribui um número reduzido de senhas por dia, o que deixa muitas pessoas sem conseguir retirar seus medicamentos. O atendimento, segundo observado, era realizado por apenas uma funcionária, e o espaço destinado ao público continha apenas seis cadeiras — insuficientes para acolher a grande demanda diária.
O resultado é de longas filas que se formam ainda nas primeiras horas da manhã. Dona Rita, de 72 anos, chegou ao local por volta das 7h e, ao meio-dia, ainda aguardava para ser atendida. “Não está tendo facilidade nenhuma para a gente. É muito difícil ficar horas aqui”, relatou.
A situação se repete com outros usuários. Dona Renilda, que também estava na fila desde as 7h, afirmou que o atendimento depende “da boa vontade” e que a espera tem sido desgastante. Já dona Idezoilta, de 66 anos, era mais uma entre os idosos que permaneciam no local por horas para conseguir retirar seus medicamentos de uso contínuo.
Seu Enésio disse que muitas pessoas chegam de cidades vizinhas para acessar o serviço, o que aumenta ainda mais a demanda. Ele sugeriu que mais farmácias sejam credenciadas ao programa no município para dividir o fluxo e evitar o desgaste enfrentado pela população. “Se tivesse mais farmácias, não ficaria esse aperto todo”, lamentou.
O Farmácia Popular funciona por meio de parceria com estabelecimentos privados, mas, segundo usuários, a falta de estrutura adequada, tecnologia insuficiente e equipes reduzidas têm tornado o acesso dificultado em Santo Antônio de Jesus. Enquanto nenhuma ampliação é anunciada, moradores seguem enfrentando filas longas e condições que muitos classificam como “humilhantes” para conseguir garantir seus medicamentos essenciais.
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