Apesar dos avanços do Brasil nos últimos anos em áreas como educação, distribuição de renda e inclusão social, as desigualdades raciais e de gênero continuam profundas no país, especialmente para as mulheres negras.
Entre 2016 e 2023, elas ganharam, em média, cerca de metade da renda dos homens brancos no país. Os dados fazem parte do Índice de Justiça Econômica Racial (IJER), divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Fundo Agbara em parceria com a Fundação Volkswagen e ActionAid.
- 💰Em 2016, por exemplo, a renda domiciliar per capita (valor médio por pessoa no domicílio) das mulheres negras era de R$ 862,98, enquanto a dos homens brancos chegava a R$ 1.821,55.
- 💰Em 2023, a diferença permaneceu praticamente: R$ 1.191,66 para mulheres negras, contra R$ 2.381,43 para homens brancos.
O levantamento analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2016 e 2023, e mede como raça e gênero influenciam o acesso da população a renda, educação, emprego e moradia no Brasil.
Mulheres negras seguem na base da desigualdade
O estudo mostra que a estrutura de desigualdade econômica no Brasil permaneceu praticamente inalterada entre 2016 e 2023, formando uma “pirâmide econômica rígida”. Com isso, apesar do aumento da renda para todos os grupos nos últimos anos, as desigualdades históricas ligadas à raça e gênero praticamente não diminuíram.
Segundo o levantamento, homens brancos seguem no topo dos indicadores de justiça econômica e renda no país, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras, que registraram os piores resultados em todo o período analisado.
Para Marcos Maestri, supervisor de Advocacy da Fundação Grupo Volkswagen, “a mensagem do estudo é: o elevador social do Brasil está quebrado”. Ele ressalta que outros dados indicam que uma pessoa pode levar até nove gerações para sair da pobreza e alcançar a classe média no país.
Na prática, isso significa que as condições médias de vida melhoraram, mas as posições na hierarquia social permaneceram praticamente as mesmas. G1
















