De acordo com relatos ouvidos pela TV Globo, Motta procurou Alcolumbre para conversar depois da meia-noite, mais de três horas depois de o texto principal da proposta ser aprovado no plenário da Câmara, na terça-feira (16).
🔎A proposta de emenda à Constituição (PEC) exige autorização prévia do Congresso para a abertura de ação penal contra os parlamentares. Além disso, estabelece voto secreto para a prisão de deputados e senadores.
Assim que o texto chegou ao Senado, nesta quarta, o presidente da Casa o encaminhou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e disse que a proposta terá uma “tramitação normal” e “dentro do regimento”, diferente da Câmara, onde avançou de forma mais acelerada.
‘Exageros’
Mesmo senadores que antes defendiam a PEC, como integrantes do PL, dizem agora que não é possível apoiar a proposta. O voto secreto é um dos pontos que afasta possíveis apoios de senadores. A medida foi considerada excessiva e de difícil defesa com o eleitorado. Até senadores mais radicais da oposição, como Jorge Seif (PL-SC) e Eduardo Girão (Novo-CE), reconheceram “exageros” no texto aprovado pelos deputados.
O senador Sérgio Moro (União-PR), por exemplo, afirmou que “o remédio acabou sendo excessivo, porque, da forma como está posta, também poderá ali acabar inviabilizando investigação e processo em relação a crimes comuns”. Mesmo o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), flagrado em 2020 com dinheiro na cueca em uma operação e depois indiciado pela Polícia Federal, disse ser contrário à matéria.
Relação com oposição
A tramitação da proposta também deve ser afetada pela relação do presidente da Casa com a oposição neste momento. Em agosto, quando foi determinada a prisão domiciliar do ex-presidente, deputados e senadores, em protesto, ocuparam por quase dois dias os plenários do Congresso e impediram que votações acontecessem. Alcolumbre disse que a ocupação foi um ato arbitrário e “alheio aos princípios democráticos.”
Durante a sessão do plenário do Senado desta quarta, Alcolumbre deu sinais da insatisfação ao criticar publicamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde fevereiro. O amapaense declarou que os oposicionistas “não querem votar [projetos] porque ficam se atendo aos debates do Judiciário, seja do impeachment de ministro do Supremo, seja de anistia”. G1

















