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Sete pessoas foram mantidas reféns no bairro de Tancredo Neves, em Salvador, durante uma operação policial que envolveu uma troca de tiros com homens armados, em junho deste ano. Esse foi um dos 16 casos de cárcere seguido de perseguição registrado na capital baiana nos primeiros sete meses de 2025.

Nos últimos três anos, Salvador registrou 57 ocorrências em que ao menos uma pessoa armada invadiu a casa de um cidadão e fez reféns durante uma tentativa de fuga. Desse total, 44% das situações aconteceram na região de Tancredo Neves, que além do bairro de mesmo nome, engloba os bairros Arenoso, Arraial do Retiro, Barreiras, Beiru, Cabula, Cabula VI, Doron, Engomadeira, Narandiba, Resgate, Saboeiro e São Gonçalo.

Pesquisadores e policiais ouvidos pelo g1 apontam que o alto número de ocorrências na região está diretamente ligado à configuração criminal da região. Tancredo Neves é historicamente disputada por facções, o que gera rotinas constantes de confronto, perseguições e operações policiais nos bairros que integram a área.

Segundo o professor de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Misael França, essas facções mantêm estratégias rígidas de controle territorial, que incluem impor regras aos moradores, controlar serviços de internet e TV e sequestrar integrantes de grupos rivais.

Assim, com a pressão exercida pelo crime e a presença frequente da polícia, situações de fuga tendem a acontecer dentro de áreas densamente povoadas, o que aumenta a probabilidade de invasões a residências. Além disso, outro ponto observado pelo professor é a estratégia dos criminosos.

“A utilização de reféns em determinadas modalidades delitivas tem a finalidade de garantir a preservação da integridade física e da vida dos criminosos que recorrem a essa prática”.

O levantamento aponta ainda que, em 2023, foram contabilizados 22 casos em Salvador. Em 2024, 19. A maior parte dessas perseguições também aconteceram na região de Tancredo Neves.

  • Em 2023, foram 12 ocorrências na região, o que representou cerca de 55% do total registrado naquele ano;
  • Em 2024, a região teve cinco casos, correspondendo a 26% do total;
  • Já em 2025, foram sete registros até setembro, o equivalente a 44% das ocorrências registradas no período. G1