© Valter Campanato/Agência Brasil

Cinco Estados brasileiros têm potencial para serem mais afetados caso os Estados Unidos concretizem a ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre exportações brasileiras ao país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Somente esses cinco Estados responderam por mais de 70% das exportações brasileiras aos EUA nos primeiros seis meses de 2025.

São Paulo é o Estado que tem potencial para ser mais afetado pelas tarifas anunciadas por Trump — já que representa quase um terço das exportações brasileiras aos EUA.

Os Estados brasileiros que mais exportaram para os EUA, segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) de janeiro a junho deste ano, foram:

Os Estados brasileiros que mais exportaram para os EUA, segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) de janeiro a junho deste ano, foram:

  1. São Paulo: US$ 6,4 bilhões exportados (31,9% do total brasileiro). Principais produtos: suco de frutas, aeronaves e equipamentos florestais.
  2. Rio de Janeiro: US$ 3,2 bilhões exportados (15,9% do total brasileiro). Principais produtos: óleo bruto de petróleo, produtos semiacabados de ferro e aço e óleos combustíveis de petróleo.
  3. Minas Gerais: US$ 2,5 bilhões exportados (12,4% do total brasileiro). Principais produtos: café não-torrado, ferro gusa e máquinas de energia elétrica.
  4. Espírito Santo: US$ 1,6 bilhão exportados (8,1% do total brasileiro). Principais produtos: produtos semiacabados de ferro e aço, cal, cimento, materiais de construção e celulose.
  5. Rio Grande do Sul: US$ 950,3 milhões exportados (4,7% do total brasileiro). Principais produtos: tabaco, máquinas de energia elétrica e calçados.

Caso as tarifas de Trump sejam mesmo aplicadas às exportações brasileiras, as indústrias desses Estados perderão competitividade nos EUA por causa dos preços mais altos de seus produtos junto ao consumidor americano.

Essas empresas provavelmente veriam uma queda nas suas vendas aos EUA e teriam então que encontrar outros compradores para seus produtos — seja no Brasil ou em outros países. Ou podem acabar tendo que reduzir sua produção, o que pode provocar até mesmo demissões em suas fábricas no Brasil.

Os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil (o segundo se considerarmos apenas os países individualmente) — atrás apenas da China e União Europeia. No caso de produtos industriais, os EUA são o principal destino de produtos brasileiros desde 2015.

Três Estados ainda têm potencial de serem afetados de outra forma: na receita dos seus portos. Quase 90% das exportações brasileiras são feitas por navios. E os quatro maiores portos estão concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Do porto de Santos (SP), partiu um terço das exportações brasileiras aos EUA no primeiro semestre desse ano. Outros portos importantes foram de Itaguaí (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES).

Brasil e EUA vivem dias de tensão desde quarta-feira (9/7), quando o presidente americano enviou a Luiz Inácio Lula da Silva uma carta na qual afirma que os EUA começarão a cobrar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras ao país.

Para justificar a medida, Trump citou o que chamou de “caça às bruxas” feita contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — seu apoiador e aliado — que está sendo julgado no Brasil por suposta tentativa de golpe de Estado. Trump também citou preocupações com a liberdade de expressão e sanções da Justiça brasileira a plataformas de redes sociais americanas.

O presidente americano ainda criticou barreiras brasileiras ao comércio e disse que os EUA têm prejuízos econômicos na sua relação com o Brasil — apesar de números oficiais apontarem o contrário.

O governo brasileiro criticou Trump pela carta e sugeriu que o Brasil retaliaria com tarifas a produtos americanos. Na carta, Trump afirma que qualquer retaliação brasileira seria respondida com mais tarifas americanas ao Brasil.

As tarifas anunciadas por Trump contra o Brasil vêm em um momento em que ele está enviando cartas a diversos líderes globais anunciando o aumento da taxação de importados. Até agora, o Brasil recebeu a maior alíquota de todos os países — 50%.

Nesta sexta-feira (11/7), Trump disse que pode negociar com Lula em “algum momento”, mas “não agora”. G1